O Tempo em que a vida (quase) parou

A vida quase parou. E heis que sem saber é possível olhar para o espelho em detalhe. Ver aquela expressão que todos dizem ser tão característica e que nunca reconhecemos. E por dentro dos olhos pisca o azul, o verde, o castanho ou o mel, cores aveludadas de um mundo redondo. Temos Tempo para levantar calmamente, tomar o pequeno almoço sem pressas, e ver a Vida desfilar caprichosamente à nossa frente. O Mundo nunca este tão seguro e tão feliz. Conseguimos ter Tempo para fazer aquelas coisas em casa que antes nos faziam queixar da falta do mesmo. Mas com o passar dos dias tudo passa a ser insuficiente e a Vida parece cair num abismo profundo de desocupação. As pessoas já não sabem o que fazer das mãos, e as redes socias parecem ser insuficientes para suprir toda a carência. O Tempo quase que sobra porque a Vida parece ter abrandado e já não somos capazes de diminuir o ritmo. Lá fora o vento sopra da mesma maneira. As árvores crescem com a mesma velocidade e a Terra roda com a mesma velocidade. Há Leões a caçar, gazelas a pastar e a serem comidas. Os pássaros voam e acasalam. A Natureza continua o seu rumo de Vida abraçada ao Tempo, sem se preocupar com as coisas dos Humanos. Tal qual nós sempre vivemos sem nos preocuparmos com a Natureza. Pois é, neste tempo em que a Vida quase parou para os Humanos, a Natureza Vive com a mesma força de antes. E quando o Tempo acelerar de novo para Nós, a Natureza viverá com a mesma velocidade de Hoje. A Natureza é constante, sábia e eficaz nos seus objetivos. Na forma e no conteúdo. E despreza o egocentrismo dos que se acham mais do que a gota do oceano incapaz de levantar onda. Ganhamos pressas de chegar a lado nenhum e sem sentido. Pois bem, esta é a oportunidade de nos reconectarmos com um interior que, de tão acelerado, parece quase não existir mais. Este é um Tempo em que a Vida quase parou, mas pode ser a pausa necessária para um novo começo. E eu estou ansioso por esse novo começo. Já sinto em mim novas energias…

Publicado em Não categorizado | Publicar um comentário

Sempre a tempo…

A preocupação com o possível aumento das doenças do foro psiquiátrico chega a ser ridícula. Continuam a preocupar-se com o secundário, o supérfluo. Cambada de gente mimada e absurda, mal habituada e sem estrutura mental para suportar-se a si mesma. Se não se suportam no sossego do lar, estão à espera que alguém o consiga fazer por vós também? Estou cansado há muito tempo e se calhar o pior que me podia acontecer era ficar fechado em casa mas isso é tão insignificante para o Mundo que jamais apregoaria isso como parte de uma histeria coletiva. Depois de anos a viver numa casa sem água e onde a luz era intermitente e inexistente em tantas noites frias e longas, parecer-me-ia surreal que a minha grande preocupação neste tempo de suposta crise fosse a saúde mental. Talvez fosse mais interessante perceber porque não consegue esta gente ficar em casa. À maioria nem falta internet e atividades. Têm TV, sofá, um quarto confortável e acesso ao Mundo. Então que falta de saúde mental é essa? Não será antes falta de um cérebro? Estes são tempos de crise, mas também deveriam ser tempos de priorizar o essencial. É inaceitável que as nossas energias e a nossa atenção estejam a ser desviadas do fundamental para o básico. A História da Humanidade mostrou períodos de verdadeira crise, isolamento, guerra. É um insulto à História fingir que o COVID-19 é capaz de vir a provocar problemas psiquiátricos severos, para além dos expectáveis no pessoal da área da saúde e de quem perde os seus entes queridos ou fica internado naquele clima pré-apocalíptico. Talvez sejamos todos mimados demais por uma sociedade que evoluiu perigosamente para o egoísmo extremo. Estamos todos cansados demais, mas inventar novas doenças num período tão perigoso é um desrespeito para com as famílias que estão a atravessar momentos verdadeiramente desafiantes. Estão a morrer pessoas nos hospitais. O pessoal dos hospitais está a arriscar a sua vida, a fazer horas intermináveis, a viver longe dos seus para salvar vidas; e estamos agora na disponibilidade de perder tempo a debater a saúde psicológica dos que são tão inúteis que não conseguem ficar em casa fechados em si mesmos? Pois habituem-se e pensem bem o que têm de tão errado que os faz ser incapazes de se suportar. Se não se suportam a vós, quem irá suportar? Se a vossa vida é uma merda, e não aguentam as pessoas da vossa casa, façam algo. Mudem. E com isto arrumo de vez este assunto. Façam o mesmo exercício que eu faço há anos: autoconhecimento e observação ativa do que rodeia. Se não estão bem, façam o que é preciso para ficar bem. Mas não se iludam com uma vidinha egoísta. Todos os meus posts andam à volta disso. Infelizmente o que me causa sofrimento e dor é precisar viver em sociedade e isso ser uma utopia até em tempos de crise. Até em tempos de crise! De todas as grandes crises da História esta é provavelmente a que menos exige das pessoas: fiquem em casa! Vamos preocupar-nos com as pessoas que ficam em casa e com isso deixam de ganhar o sustento ou com as pessoas que não têm casa onde ficar. E porque não com as empresas que não conseguem suportar muito mais manter as portas fechadas. Vamos preocupar-nos com as Pessoas solidariamente. E no meio desses problemas o cansaço psicológico, a histeria e o nosso mal estar só pode parecer absurdo. Só pode. Deixemos o politicamente correto para quando for possível. Ficar em casa estas semanas também tem sido horrível para mim mas quando coloco isso no contexto da situação que estamos a viver parece-me insignificante. É insignificante. Preocupam-me as mulheres e homens que trabalham a horas e que não vão trabalhar e não conseguirão pagar as suas contas. Preocupa-me que se percam empregos e com isso a dignidade mínima das pessoas. Estou muito preocupado com as pessoas mais velhas, sábios do nosso tempo, que vivem tantas vezes sozinhos e em condições desumanas. Só lhes falta pagar mais uma fatura: a da estupidez dos mais jovens e inconsequentes que propagam o vírus. Então falemos das pessoas e do que realmente importa. Quanto ás doenças de foro psicológico, a menos que sejam clinicamente relevantes, aguentem-se. Se não se suportam ou vossa família, mudem. Estão sempre a tempo…

Publicado em Não categorizado | Publicar um comentário

A parte mais fácil de entender

Ás vezes parece que pedir para as pessoas usarem um pouco a cabeça para pensar não é uma coisa normal. Talvez não seja para a maioria já que foram doutrinados a acreditar no que querem, de modo a validarem os seus comportamentos. Não há qualquer criatividade ou capacidade para ser diferente se não é possível meditar. Flui a cópia barata, melhorada ou até mesmo descarada. E assim vamos estando entre vidas que nunca se chegam a concretizar.  E fico com pena que assim seja. Em vez de um direito, as pessoas deveriam interiorizar que têm o dever de se sentir realizadas e completas com uma vida que não se arraste ao sabor de uma alegria aparente. A felicidade é realização. E para isso é necessário muito trabalho, abdicar do hoje, semear para mais tarde colher. Sem pressas, sem urgência de chegar, gostando do caminho e sem arrependimentos. Os erros fazem parte do ensinamento. Ninguém é perfeito e a perfeição e unanimidade não trazem o poder dinamizador da criação. É assim natural que pelo caminho se criem fantasmas e inimigos invisíveis que nos perseguem. O poder transformador do trabalho sempre desperta invejas e maldades alheias. Atento. É preciso estar atento aos sinais ou correr o risco de desprezá-los sofrendo no fim o ajuste das contas que ninguém quer pagar. E tudo se paga neste caminho tortuoso. Umas contas vêm com faturas premiadas, qual roda de sorte alheada do normal, mas maioria é apenas superinflacionada pelo valor que as pessoas auto propõem valer. E como se valoriza esta gente que a maioria das vezes não vale o chão que pisa. Quem olha de cima, perde sempre as melhores sementes e o melhor fertilizante de onde germinará o melhor dos frutos. Não é bom olhar só para o chão. Convém olhar em frente, na dimensão certa do tamanho da nossa própria Vida. Não somos mais nem menos que ninguém. Apenas somos diferentes e é a individualidade que nos permite chegar onde devemos. É por isso que insisto com as pessoas para usarem a cabeça, para pensarem bem no que fazem, e para assumirem os deveres antes de exigir direitos. Vivemos uma época de emergência social onde até a liberdade é limitada, e nem assim as pessoas entendem. As praias continuam com pessoas, os carros circulam e há aglomerados que fazem pensar que a situação vai piorar muito. Ninguém consegue prever o que aí vem, mas se esta gente continuar egoisticamente a pensar apenas nos seus passeios e no sol que precisa, vai haver um Tempo de arrependimento com custo de vidas. E essa é a parte fácil de entender. O difícil é meter na cabeça destas pessoas que esta é uma situação limite mas que demonstra claramente a falta de educação e de valores que reina pelas ruas de um modo ainda mais virulento que o COVID-19. Depois desta tormenta passar há lições a aprender e não estão apenas relacionadas com condições de higiene ou com as prioridades de cada país. É preciso abrir a caixa de pandora e ir fundo. Usem a cabeça por favor. Mudar ajuda a resolver todos os problemas da Humanidade: doenças, poluição, fome, e tudo o que faz da nossa Existência um autêntico falhanço Humano.

Publicado em Não categorizado | Publicar um comentário

“Um Ponto Negro”

Sou caseiro. Gosto de ficar em casa e sinto-me em casa. A quarentena só me traz o confinamento a sensações que não gostaria de ter aqui, em casa. Há uns meses que não me tenho sentido em mim. Aprecio-me sem gostar de me observar, e sem ver o alcance dos olhos que se recolhem a um mundo pequeno que há muito deixou de ser meu. Sinto-me incapaz e inútil, sem o ser. E sei bem que nunca o fui, não sou e nunca serei. E disto não tenho saído nos últimos meses. E este período de isolamento social não me tem feito bem, nem à casa, nem ao possível caso em que a minha mão se soltou sem querer, de um objectivo que tanto tardou que nunca chegou a concretizar-se. Estou estranhamente sem energia há tempo demais, como se a expectativa me ganhasse a guerra sobre o real. É por isso urgente vomitar este desconforto e impedir que se instale tempo suficiente para passar a fazer parte de mim. Eu engoli coisas a mais, guardei cá dentro fúrias, excessos e tempestades violentas que ameaçaram afastar alguma pureza que ainda resta. O riso infantil e inocente não pode dar lugar a uma histeria concertada sem conserto. O tempo acinzentou-se, os livros cansam de aborrecimento a minha pouca atenção, e só me resta a música para alegrar os meus ouvidos. E a companhia. Seja aqui, na China, nos USA, em África, ou em todos os cantos e lugares da Europa e do Mundo Imaginário e real que ainda não conheci. Não conseguiria quarentena sem a companhia mais que perfeita de um tempo pretérito que nos enche de esperança e de luz. Não troco as minhas angústias mais profundas quando acompanhado pelo riso falso de um divertimento passageiro. As roupas sujas, é aqui em casa que se lavam, desinfetam e se armazenam para escolher e deitar ao lixo depois de gastas ou desnecessárias. A limpeza de alma tem de ser acompanhada pelo asseio higiénico de deitar fora tudo o que nos faz mal. Seja material ou psicológico. É preciso aprender a deixar de lamentar o que vamos perdendo pelo caminho, isso é só um livramento de más energias e más influências. A vida é feita de ganhos e perdas. E todos os dias, sentado ao computador, sinto uma alegria imensa de ganhar o respeito dos que admiro, e o ódio dos que me invejam. Nunca quis manter por perto possíveis inimigos. Espero que os ventos os entreguem num bom lugar, longe de mim, onde possam receber tudo o que merecem. As coroas, o ouro, os títulos e a ascensão social dessas pessoas nunca me incomodou e nunca incomodará. Desejo-lhes um abraço sincero e o conforto da alma num “amo-te” verdadeiro como eu e poucos sabemos dizer. Sei o meu lugar. Exato e cheio de coordenadas e direções. Não me perco mesmo quando o cansaço me traz esta sensação estranha de me ver observando, sem saber o que prende a minha atenção. Nunca fui de ficar parado à espera que algo se resolva ou a minha vida circule na velocidade normal de um dia-a-dia que vai e vem, sem trazer boa sorte. É por isso Tempo de fazer uma boa reza e acender a vela do desejo, ambição positiva que ninguém nunca vai roubar de mim. Desejo muito a Vida, passar por Ela como quem agradece um beijo inesquecível e que jamais se repetirá. Olho em frente e finalmente consigo ver o que me retinha a atenção. Era apenas um ponto negro, um ponto final. E se final é, não há nada mais a dizer senão começar a frase seguinte. E é bonita a frase seguinte. Dilatou o coração e onde estava sofrimento passou a habitar todo aquele Amor que tanto imaginou, e que não tardou, porque afinal, mesmo sem sair de casa, sempre chegamos onde nos esperam …

Publicado em Não categorizado | Publicar um comentário

“Covid-19 ou Co-vida sem um único parceiro…”

Nos últimos anos abdiquei, uma vez mais, das pequenas coisas que me davam prazer e estimulavam. Preocupei-me com o que não devia e entrei numa louca correria em torno de algo que não queria. Vivemos agora um cenário pré-apocalíptico que não nos dá tréguas e parece ter vindo para ficar. Há quem apregoe que nada será como antes, mas a verdade é que tudo será exatamente como antes. Não sei por que livro, doutrina ou governo esta gente se orienta, mas é para o Agora, o Hoje, o Momento e por isso a tendência será, assim que o medo passar, tudo voltar ao mesmo. As mãos que juntas saúdam os profissionais de saúde com palmas vão afastar-se numa distância no espaço e no tempo. Os problemas sociais vão diluir-se nas preocupações individuais. Os cientistas vão voltar a estar sozinhos na luta contra a precariedade; os médicos vão continuar a sentir a degradação da sua profissão; os enfermeiros vão continuar a ganhar o ordeno mínimo. Em suma, os heróis que vão descobrir a vacina, que vão salvar as vidas, dar os cuidados necessários aos doentes, vão ficar igual ao que estavam e ainda mais cansados para continuar as suas próprias lutas. Talvez até deprimidos pela pressão a que estão sujeitos, devido ao stress ou apenas pelo seu próprio isolamento e pelo que vêm. Mas que interessa isso? Eu estou no conforto da minha casa e, enquanto estiver em segurança e nada acontecer aos meus, nem sei que essa gente existe… E assim vão passando os dias, sem compreendermos que uma sociedade egoísta, narcisista e cobarde, que foge das suas responsabilidades civis e dos seus deveres, falha. E falhamos todos os dias quando através de mais um cheque recebemos o que achamos ser um pagamento devido pelo esforço individual. Temos direitos e todos estamos cientes deles. Exigimos. Queremos liberdade de fazer o que queremos como queremos. E os deveres? E a responsabilidade? Vamos, vamos correr para casa das mães, fechar-nos num quarto qualquer, ligar o PC e dedicar-nos às redes sociais. Vamos brincar e fazer rir todos quantos vêm o nosso facebook. Vamos colocar histórias no instagram perfeitas de tão belas. E a Vida é só direitos e liberdade. Os minutos passam, as horas passam e os dias são passados entre risinhos histéricos e inconsequentes. E é essa inconsequência que nos leva a um abismo social que me dá um nojo de alma. É vê-los, vazios de palavras e de argumentos a dizer: porque eu quero, porque eu sou livre. Bla blás de quem não conhece a verdadeira liberdade. Eu sou livre quando cumpro os meus deveres e exijo os meus direitos. Eu sou livre para ter uma personalidade moldada aos meus Princípios e aos Valores que escolho, e não aos que me impingem ou me convêm momentaneamente. Não procuro validação nos outros, mas sim no meu coração e a minha Postura reflete exatamente quem sou. Não mudo ao sabor da necessidade. É por isso que este cenário pré-apocalíptico me entristece. Falamos do Covid-19, como nos protegemos, nos números associados, na progressão, nos cenários, na higiene, na economia, e mais uma vez deixamos de lado toda e qualquer componente humana. Tornam-se virais apelos e discursos que apregoam a uma responsabilidade civil. Mas continuamos sem entender que o respeito pelos outros e pela natureza estão intimamente ligados à incapacidade de viver numa sociedade em que as pessoas têm deveres a cumprir. E não é só cumprir regras básicas de não matar, ou não roubar. Comecemos pelo mais simples: não ferir, não fugir, não magoar para evitar responsabilidades. E então entenderemos que o problema não é o Covid-19, matará pessoas mas vai passar, mas a Co-vida que levamos sem um único parceiro. E como chamam a isto uma “sociedade”? Só se for empresarial… e o dinheiro sempre me disse pouco. Quanto mais vivo, menos gosto de pessoas, e isso dói…

Publicado em Não categorizado | Publicar um comentário

Falhar é uma chatice…

Regresso à escrita com uma saudade tão imensa quanto o oceano. E terei de voltar a escrever com o mesmo cuidado e respeito. Preciso disso para sobreviver. Publico um texto meio antigo, com génese actual.

Falhar é uma chatice. Mas só quem tenta, falha. A grande questão é saber se tentamos com todas as forças, todo o talento e toda a capacidade. Se o esforço foi máximo, a dedicação total, então não muito mais a fazer. Aprender. De cada pequena falha tiramos grandes lições. Estar atento aos sinais, lúcido e, para evitar grandes dores, preparar o corpo e a alma para a falha. Há coisas que não se podem mais salvar, e peças que depois de partidas são apenas cacos. A falha por vezes é de um, de dois, coletiva ou até mesmo social. Mas se no fim há perda, o que importa quem, o quê ou onde? Viver é também um jogo que vive de falhanços. Não sou capaz de somar tudo o que acertei ou falhei. Nem me importa esse exercício sádico e triste de fazer correr o tempo contra mim. Falhar é o prenúncio de boas novas porque a coragem de tentar nunca pode ser uma condenação. Um dia a falha se preenche e o caminho fecha-se entre duas linhas paralelas que se vão tocando e não mais se afastam. Não há destino quando se falha, nem condenação. Há apenas um caminho que segue sem esperar por nós. É a certeza de que não tinha de ser. Não agora. E o futuro não existe senão na vontade de cá estar para o viver intensamente. E seguimos assim no presente, evitando recordar derrotas passadas, e sem capacidade de adivinhar o futuro. Na falha há o desejo de que tudo passe com a velocidade da luz, caminhando para algum lado. Importa não perder o rumo, saber quem se é, onde se quer chegar, e até onde estamos dispostos a ir e o que podemos fazer. E aos poucos vamos cedendo a monotonia para um novo projeto, uma nova tentativa de algo. Sempre tentamos algo para satisfazer a curiosidade, o ego, a vontade de melhorar ou apenas porque estar no mesmo lugar é incapaz de nos estimular. Falhamos as vezes que forem necessárias. Simplesmente há coisas com as quais não podemos competir.

Publicado em Não categorizado | Publicar um comentário

A vida é interessante…para quem tem interesse

IMGP1067

Em todos os lugares onde andei, sempre me encantei com pormenores. Interessa-me muito mais o básico, simples e o que pode escapar ao óbvio. É por isso que estou entusiasmado para os meses que se seguem. As viagens vão suceder-se e para além de continuar este caminho sem mapa de busca por conhecimento, ou não fosse eu cientista, tenho em mira sítios que sempre achei mágicos. E a cada viagem marcada, há uma parte de mim que se emociona. Há 30 anos atrás encontrei uma pequena revista que tinha uma foto sobre a Aurora boreal, e aos seis anos tudo me pareceu uma mentira. Aquela mistura de cores no céu só podia ser uma pintura preparada para impressionar. Mas eu já lia bem e não estava a sonhar. Dizia lá que aquele fenómeno acontecia mesmo algures no mundo. Eu, criança inocente e sonhadora, saí de casa. Desci o degrau e atravessei o passeio apressado sem me preocupar. Era noite, e naquela rua, aquela hora, não passava ninguém. Deitei-me no asfalto e fiquei por ali talvez uma hora a apreciar o céu. Pensei que se tivesse por lá tempo suficiente conseguiria ver aquela palete de cores no céu. Mas não vi. Desisti cansado e amedrontado pelo escuro da noite. Resignei-me a não poder ver nunca aquela coisa que chamavam Aurora boreal. O meu céu era muito limitado… nunca seria capaz de abranger tal beleza. A Vida seguiu o seu rumo e o meu céu foi ganhando espaço, largura e outra dimensão. Nunca me causou ansiedade aquele episódio, e a resignação era mais aparente que real. Confiei no meu trabalho e na Vida. E heis que, passados tantos anos, acabo de marcar uma viagem até ao céu onde as partículas se alinham com o vento solar e o campo magnético para criar um evento de fantasia. Não sei se conseguirei ver algo, mas marcar esta viagem despertou em mim aquele tempo de menino em que descalço me deitava no asfalto e via o céu se prolongar até onde julgava ser o fim. Mas afinal, o céu não termina nunca, e para lá do horizonte podem esconder-se verdadeiras pérolas. A Vida é sempre interessante para quem tem interesse. Só isso. E desde muito pequeno tive interesse em conhecer as pessoas, as coisas e o mundo.

Publicado em Não categorizado | 1 Comentário