Visita a Hangzhou

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A longa ausência deve-se a um volume absurdo de trabalho que quase não me deixa respirar. Depois de uma estadia na China que me esgotou fisicamente, parei por Portugal uma semana para preparar uma nova viagem. Recapitulando, fui até à China onde passei por experiências para lá de únicas. Depois de 16 horas em aviões, cheguei a Hangzhou por volta das 11 da manhã. Mal respirei e o motorista já me levava para um almoço. Não fosse eu descarado a exigir um banho e entrava direto no restaurante. Depois de um banho tomado lá fui para o almoço e percebi que daí a duas horas era esperado na universidade para a primeira palestra. Só um louco, como eu, aceita isto. Mas assim foi… Fui buscar forças ao entusiasmo próprio de quem ama o que faz e ensinei o melhor que pude. Lanchei com o staff da faculdade e fui ver o campus. Maravilhoso e digno dos 600.000 alunos! Sim, 600.000 alunos. Era uma cidade dentro de uma outra cidade. O jantar decorreu calmo e com uma abundância de comida assustadora. Tudo isto para perceber que no dia seguinte iria até “À cidade ao lado”, que ficava “apenas” a quatro horas de comboio de alta velocidade!! Tudo à dimensão da China. Madruguei e corri para o motorista que nos levou para a estação de comboio. Completamente futurista, a estação parecia um aeroporto e tentava dar sentido e organização aos magotes de pessoas que corriam em direção a algum lugar. A viagem foi por demais cansativa! Chegado à nova cidade, começaram as experiências locais e intensas. O cansaço deu lugar a uma necessidade rara de querer absorver cada canto, cada paisagem e cada réstia de novidade. No dia seguinte foi preciso madrugar e ir até ao mega evento de início da colheita do chá branco. Ao sair do autocarro tive a noção de que aquele era um mega evento. Parecia um rock in rio, e nós as estrelas. Passadeira vermelha, fotógrafos e até autógrafos. Tive medo de ser ali o lugar da minha segunda palestra. Apesar de ter sido apresentado, sabe-se lá com que nota introdutória, apenas tive de acenar ao publico como se fosse um membro de uma família real qualquer. Assustador! Tive oportunidade de ver no festival a representação milenar da apanha do chá e passeei pela multidão distribuindo sorrisos e poses para fotografias. Foi mesmo algo único e avassalador. De tarde foi momento para a minha palestra que decorreu num hotel para mais de 300 pessoas, entre políticos e donos de empresas de chá. Foi algo que me esgotou! Mas à noite consegui jantar e conhecer um pouco da cidade. Apenas um pouco, mas o suficiente para apreciar ainda mais a oportunidade de estar ali. No dia seguinte madruguei para visitar as montanhas Taimu, que me despertaram para o potencial natural da China. Paisagens simplesmente deslumbrantes. O tempo passou a correr e antes que notasse já estava enfiado num comboio de volta a Hangzhou. Mais quatro horas, mais cansaço e uma correria para sair de uma estação que, era por si só também uma pequena cidade. Jantamos a correr e tentamos descansar mas o cansaço era tanto que não havia sono. O dia seguinte passou a correr entre visitas ao lago “West lake” e a toda a zona comercial. O dia passou rápido demais. Jantamos com pessoas que fomos conhecendo e conseguimos apenas fazer umas compras rápido demais. Esta viagem de “sonho” passou com a velocidade de um sonho mesmo. Quando dei por mim acordei em Portugal com um monte de coisas para resolver e a vida suspensa por uma semana. Sim, sem whatsapp, facebook e gmail a vida fica mesmo muito complicada. Esta discussão política de como a China precisa abrir as suas fronteiras mas ao mesmo tempo controlar uma população que teima em não se civilizar, terá de ficar para outro dia. Importa salientar que fui muito feliz e tive um período rentável e divinal. Hangzhou foi inesquecível para mim e não vejo a hora de voltar. Sempre gosto de regressar aos sítios onde andei e fui feliz e a China faz parte desse meu imaginário, cheio de lendas e significado, onde a felicidade anda de mãos dadas com o desconhecimento. Quero muito regressar… eu vou voltar, se a saúde deixar e o meu mundo não terminar…

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Uma resposta a Visita a Hangzhou

  1. Antero Almeida diz:

    Felizardo! Viajante por todo o Mundo! Bom observador! Que a boa sorte continue, Amigo!

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