A desistência da felicidade

A relação entre duas pessoas tem mudado muito e o certo é que hoje, nada é eterno. Nada fica, nada é para durar. As pessoas já traçam caminhos com vista ao futuro possível mas apenas ao futuro que cada um quer sem que seja possível alcançar. É lamentável que hoje o Amor, seja de que forma for, é uma sorte de encontrar nos caminhos perdidos da Vida. E não foi feito para ficar ou para durar. Nem sequer o Amor dos progenitores tem a capacidade de resistir ao egoísmo próprio da Humanidade. Dura enquanto tem de durar, termina num vazio que rapidamente se preenche com qualquer coisa que se desconhece no imediato, mas que vem a ser a inimportância de amar. E venham lá esses dias especiais, dos namorados, da família e até aniversários presos pelas 24 horas de um dia. Eles passam e como eles as promessas de sentimento fingido. Sim, fingido. Só pode ser. Cada vez entendo menos esta coisa das pessoas que amam um dia, sentem saudades e são amorosas, e no dia seguinte simplesmente abandonam tudo. É algo que não me cabe na cabeça. A desistência da busca pela felicidade com a pessoa que amamos é um crime contra a nossa própria essência. Todos temos o direito e o dever de ser felizes; mas com tal obrigação vem grande poder. Somos livres para escolher amar, cuidar, abraçar e beijar ou desistir, fugir, maltratar e pisar. A escolha parece tão óbvia que o pensamento de um dia eu próprio desistir me causa uma náusea total e um desconcerto emocional. Não há justificação suficiente nem possível para alguém magoar deliberadamente. Essa necessidade de magoar outro só para poder sentir algo é um comportamento narcisista que define os caminhos tortuosos que hoje se fazem. É por isso lamentável este corrupio de relações de conveniência, usura e com prazo de validade. As pessoas deviam sentir mais! É preciso sonhar longe para apreciar o que temos ao perto. Viver dá muito trabalho e construir a felicidade é um trabalho contínuo e árduo, com muitas discussões, com muitos desentendimentos mas também alegria e prazer sem limites. É preciso ás vezes até negociar e ceder para conquistar. Perdas e ganhos cheios de suor e árduo poder de encaixe. Infelizmente não há mais vontade para construir coisas. Vive-se o imediato sem qualquer obra para deixar, sem qualquer futuro a pensar. E isso acontece nas relações de amor, amizade e até de trabalho. Não se reconhece o bem que é feito e o mal parece sobrepor-se a toda e qualquer obra que se vá construindo. Há poucas pessoas que saibam realmente o que é sentir, amar, cuidar e a responsabilidade bela de ser e fazer os outros felizes. O sacrifício de hoje pode bem vir a ser a fonte de muito riso e uma história linda. A visão a curto prazo, imediata, é redutora e limita a compreensão. O que as pessoas ainda não entenderam é que no final da Vida, feitas as contas de somar e subtrair, apenas vai restar o que construímos, uns com os outros, uns pelos outros. É por isso lamentável a desistência da felicidade. Ninguém é feliz sozinho.

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