Falhar é uma chatice…

Regresso à escrita com uma saudade tão imensa quanto o oceano. E terei de voltar a escrever com o mesmo cuidado e respeito. Preciso disso para sobreviver. Publico um texto meio antigo, com génese actual.

Falhar é uma chatice. Mas só quem tenta, falha. A grande questão é saber se tentamos com todas as forças, todo o talento e toda a capacidade. Se o esforço foi máximo, a dedicação total, então não muito mais a fazer. Aprender. De cada pequena falha tiramos grandes lições. Estar atento aos sinais, lúcido e, para evitar grandes dores, preparar o corpo e a alma para a falha. Há coisas que não se podem mais salvar, e peças que depois de partidas são apenas cacos. A falha por vezes é de um, de dois, coletiva ou até mesmo social. Mas se no fim há perda, o que importa quem, o quê ou onde? Viver é também um jogo que vive de falhanços. Não sou capaz de somar tudo o que acertei ou falhei. Nem me importa esse exercício sádico e triste de fazer correr o tempo contra mim. Falhar é o prenúncio de boas novas porque a coragem de tentar nunca pode ser uma condenação. Um dia a falha se preenche e o caminho fecha-se entre duas linhas paralelas que se vão tocando e não mais se afastam. Não há destino quando se falha, nem condenação. Há apenas um caminho que segue sem esperar por nós. É a certeza de que não tinha de ser. Não agora. E o futuro não existe senão na vontade de cá estar para o viver intensamente. E seguimos assim no presente, evitando recordar derrotas passadas, e sem capacidade de adivinhar o futuro. Na falha há o desejo de que tudo passe com a velocidade da luz, caminhando para algum lado. Importa não perder o rumo, saber quem se é, onde se quer chegar, e até onde estamos dispostos a ir e o que podemos fazer. E aos poucos vamos cedendo a monotonia para um novo projeto, uma nova tentativa de algo. Sempre tentamos algo para satisfazer a curiosidade, o ego, a vontade de melhorar ou apenas porque estar no mesmo lugar é incapaz de nos estimular. Falhamos as vezes que forem necessárias. Simplesmente há coisas com as quais não podemos competir.

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