Ensaio sobre a mediocridade

Não me surpreendem estes políticos que tiram licenciaturas num ano. Nem aqueles que fazem exames ao domingo e enviam trabalhos por fax. Não me admiram as fraudes de universidades públicas e privadas porque mais do que os graus, importava saber se as pessoas que gerem o País e essas instituições são honestas e capazes. A resposta é mais do que óbvia e estes “casos” são a prova mais definitiva que se pode ter de que a mediocridade é o maior argumento para progredir na carreira. Quanto mais mediocre, mais fácil é a vida! E a razão é mais do que simples: selecção artificial. Os mediocres que atingem determinado patamar na carreira, não permitem que alguém muito melhor que eles se aproxime. Vão assim eliminando potenciais concorrentes e pessoas muito mais capazes que facilmente lhes fariam muito mais que uma mera sombra. É que pessoas inteligentes e trabalhadoras são perigosas porque só por existirem expôem a mediocridade. Há assim uma espécie de preconceito e perseguição aos que, não estando preocupados com ambições e intrigas, alimentam-se do fruto do trabalho. Conclui-se então que a esmagadora maioria das pessoas que ocupam lugares de destaque são medíocres. São menos do que suficiente. Muito menos do que médio. E longe do excelente. É por isso que já não me espantam as licenciaturas. As equivalências. As notas ou as médias que por aí se vêm de vez em quando. E até já nem me espantam os doutoramentos que se servem em pratos quentes, embora vazios. Nunca esquecerei o meu choque, enquanto aluno do primeiro ano de doutoramento, ao perceber que existia gente a terminar o doutoramento que nem conhecia a bandeira do Reino Unido. Há pessoas que terminam doutoramento sem saber fazer uma conta. E quando abrem a boca, poupam-me o trabalho de os denunciar. É que não há como esconder o que apenas sabem ser: mediocres. Não têm cultura geral. Não têm cultura particular. Não têm opinião sobre nada, são nulos em tudo. Não são capazes de um diálogo construtivo e coerente. Mas infelizmente estamos nas mãos deles. O País está vergado não à Troika mas a estes incompetentes. Medíocres do dia-a-dia incapazes de fazer o que seja bem feito. Destruidores de harmonia e de tudo o que existe de bom. A mediocridade é um problema que está cada vez mais enraizado e anda de mãos dadas com a corrupção. Mas não é dessa fibra que são feitos os portugueses. Não é de mediocridade que se constrói um País feliz. Gostaria que as coisas mudassem mas não tenho muita fé. As pessoas cansam-se. Deixam de protestar sem saber que essa inoperância é um incentivo a que se mantenha este sistema de premiar a mediocridade. É por isso que pouco me espanta que os nossos mais altos dirigentes políticos tenham licenciaturas compradas na mercearia que só mercenários frequentam! Este é o nosso presente, mas não pode ser o nosso futuro. As pessoas estão cansadas. Fartas de espertinhos. Nós queremos inteligência. Capacidade. Humildade. Vontade de trabalhar em favor de todos e com sentido de serviço público. O prestígio não devia vir dos títulos ou dos cargos mas sim do trabalho. É preciso gente trabalhadora nos lugares certos. Pessoas motivadas e sem ambição. E a mediocridade devia ser condenada ao lugar que merecem: lixo. Lixo com eles. Já os engolimos tempo demais. É tempo de os cuspirmos. E se alguém ousou mastigar e os interiorizou, então que os expulse lá pelo cano dos fundos. Que se livre desta mediocridade. E se um dia se abater sobre nós um certo desânimo e quase uma tentação para cair na mediocridade é preciso relembrar que é preferível nunca chegar a lado nenhum do que fazê-lo vendendo a alma do demónio. Um dia vai ser a gota d’agua: http://www.youtube.com/watch?v=qhAzQ_Qiz5c

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Uma resposta a Ensaio sobre a mediocridade

  1. Tomei a liberdade de dizer o mesmo, peço que me desculpe mas não resisti a este tema que me inspira de sobremaneira

    (Ensaio sobre a mediocridade)

    Sinto uma estranha mas calma melancolia,
    Sei o que é ser abjeto e objecto ignorado, do saber geral, e da opinião de um público
    Ingénuo, genérico e pouco culto, mas num mundo de pessoas maioritário criativas, seria insuportável conviver-se e a mediocridade é a média e a medida certa e necessária para que haja equilíbrio social, infelizmente como em todos os nichos da natureza desde as formigas, as abelhas aos grandes mamíferos e florestas de vários continentes tropicais e de carvalhos seculares existem doenças, pragas e parasitas, facínoras sociais locais e globais e outros bem mais nefastos ou seja medíocres malignos, maus,
    Quando aparece um ser humano inspirado, mágico Druida, ou génio bom todos os medíocres conspiram contra ele, pois este promove a evolução da espécie, da humanidade ou do rebanho, alcateia etc, são os espíritos iluminados, enquanto os outros, medíocres, quer chefes ou simples povo, estúpido, asseguram a solidez social do conjunto, da tribo, do estado ou da nação, muito embora, de entre estes medíocres, se destaquem outros e alguns bem mais perversos, que gerem o tecido social e controlam de forma maligna e em auto proveito, os obedientes servos ou escravos e outros ainda, uma quadrilha de medíocres regulamentados, amedrontados são uns o povo,e amedrontadores outro, com obrigações e regulamentos, que fazem escrupulosamente respeitar pelo estatuto de força que a autoridade judicial lhe compete e a mando destes a fazem acatar, alguns mesmo sabendo estarem errados mas pactuam em defesa da estéril paz social e do conforto previsível.
    Os galardoados com prémios nobéis da economia, da literatura e da Ciência, não se tornam ministros nem chefes de estado, apesar da sua genialidade, mas talvez sejam contratados como assalariados bem remunerados, gado de magnifico porte e garbo, nalguma grande multinacional da finança ou num banco mundial porventura o F.M.I.
    Não pensemos que existe uma conspiração salientada contra nós pensadores, ela é inerente a nossa condição de animais sociais, sem esta condição, seria anárquico o nosso sistema social, embora a imbecilidade para onde a nossa sociedade vai caminhando seja categoricamente escolarizada desde a infância, nas escolas públicas para que o número de população assalariada, acessível e disponível por magos salários seja uma curva bastante ascendente e também por via dos “média” que estupidificam uma população que se não quer culta, é ingovernável, incontrolável até.
    Imaginemos uma abelha com um novo conceito arquitetónico e conceptual de colmeia, é natural que o enxame se revolte contra o novo construtor até pela sobrevivência do clã, que poderia não resistir ao lar, o mesmo se passaria se uma obreira quisesse ocupar o trono da rainha, missão impossível, geraria uma revolução e o caos social.
    Mas um grupo de abelhas inquietas e sábias haveria de revolucionar, do sabor do mel, à consistência do favo e toda a sociedade se transformaria dentro da colmeia se fosse praticável.
    Uma qualidade intrínseca de um ser humano é ultrapassar-se a si próprio, inovar e criar, não existiria desenvolvimento sem a criatividade, nem nada de novo desde a idade da pedra.
    O conformismo permite-nos viver razoavelmente alegres, isso é assegurado pela população medíocre dum certo estereótipo de conformismo de que fazem parte os nossos governos e gestores públicos medíocres, talvez malignos, donde raramente surge a genialidade em prol da comunidade ou a criatividade produtiva, criaram apenas uma complicada rede institucional que permite a imbecis estandardizados, gerir com organização quem trabalha estupidamente, apropriando-se da riqueza produzida e das mais-valias destes para o benefício de alguns poucos.
    Essa a razão de tantos medianos, aclamando estupidamente outros tantos medíocres, uma espécie de justificação de um “Status-Quo” que não pode falir, toda uma sociedade desmoronaria perante a opinião de um só talento de um só homem, de um revolucionário, há casos disso na nossa história mas os idiotas da nossa sociedade não podem permitir que se repitam mais episódios de clareza social e humana.
    Um mundo de pessoas criativas e talentosas seria insuportável, mas um mundo em que a criatividade é negada a todos tornar-se-à também a curto prazo, num detestável mundo de fatos cinzentos e colarinhos brancos, num lamaçal horroroso sem opiniões nem opções onde eu não quero estar.

    Jorge Santos (11/2014)
    http://namastibet.blogspot.com

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