Propagação do vazio pelo ambiente social

Ás vezes as minhas insónias levam-me por caminhos que nunca imaginei. São sonhos, são pesadelos e são até caminhos alternativos do tempo de “e se…”. Mas sempre acordo. Haverá um dia em que lá terei de não acordar e resignar-me à finitude do meu tempo. Viver chega a ser um desperdício chato e inconsequente. Quem quereria atravessar este curto período de tempo para buscar sabe-se lá o quê, sabendo que no nascimento já estamos condenados a morrer?. E o contrário de viver não é morrer como se diz, há muita gente que respira mas não vive, apenas se arrasta. Este meu amadurecimento calmo e despretensioso ensinou-me que o contrário de viver é a recusa de ter personalidade e lutar pelo que se quer. Talvez isso explique muita coisa sobre algumas das pessoas que se cruzaram na minha vida ao longos dos anos. Não houve ali uma vontade real de lutar e viver. E está certo. Todos temos o direito e o dever de ser felizes à nossa maneira. Uns a pensar demais, outros a executar demais, outros apenas a arrastar-se por um dia-a-dia de tempo perdido e jamais recuperado. E se não têm consciência disso então talvez seja mesmo melhor deixar o tempo rolar, e acabar. No final da Vida haverá sempre os que foram apenas mais um entre muitos, e os que de alguma maneira quiseram e viveram de modo a fazer a diferença. Não é a fama Kardashian que interessa, ou o fenómeno mediático que fica para a História com a ridicularização da falência social. Fazer a diferença ou não, vem de como vivemos e de quem somos. A matéria de que somos feitos… Escrevo isto num estado profundo de condenação a viver rodeado de gente que não quer viver mas apenas arrastar-se no crescimento imerecido á custa de terceiros, aproveitando-se do trabalho alheio e das capacidades dos mais competentes. A essa enorme doença que há décadas se alastra, temos agora a somar as pessoas que apenas vivem desligadas da realidade no seu mundo social. E somadas ambas as desgraças, aceites como inscritas para sempre no ADN da Vida e não-vida humana, chegamos à triste conclusão de que apesar de séculos de evolução, retrocedemos tanto em poucas décadas. Sinto a falta de pensadores, de humildade, de uma interação saudável entre as pessoas. Numa época de tantas redes sociais e tantos contactos, a dependência desse contacto frio é muito mais do que uma enorme preocupação, passando a ser mesmo um cancro social. Todos brincam ao TIK-TOK e tentam viralizar, sem entender o que realmente significa a palavra. Essa propagação do vazio pelo ambiente social é de facto um vírus que rapidamente se propaga e contagia todos. E para mim não há nada pior que deitar no vazio e acordar no vazio, sentindo e querendo Viver ainda com mais intensidade. Não tenho por isso grande apreço por pessoas que se controlam muito e nunca discutem; ou que escondem os sentimentos por debaixo dos caracóis dos cabelos. Os sentimentos não se podem racionalizar, e o Amor não se pode fingir. Ou se tem e se sente, ou não. E quem sente o coração bater, perde as estribeiras e fala alto; perde a paciência e sente o coração na garganta a bater e a apontar o discurso. Não o pensa, nem o quer pensar. Eu pertenço a essa classe de pessoas que sente até ás lágrimas quando as coisas correm bem ou correm mal; que diz o que lhe vai na alma e no coração sem pensar consequências porque afinal a minha Verdade não me pode condenar; que prefere uma boa discussão que uma paz podre; que prefere uma boa conversa que ignorar o que se passa á volta. Tudo isto parece ser universalmente aceite como algo fantástico, mas não é. É esse feitio que me impede de chegar onde alguns têm expectativas que chegue. A minha regra é agir, fazer, nem que seja aparentemente mau financeira ou socialmente. Precisamos de pessoas que sejam e façam. Apenas ser e fazer.

 

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