Sempre a tempo…

A preocupação com o possível aumento das doenças do foro psiquiátrico chega a ser ridícula. Continuam a preocupar-se com o secundário, o supérfluo. Cambada de gente mimada e absurda, mal habituada e sem estrutura mental para suportar-se a si mesma. Se não se suportam no sossego do lar, estão à espera que alguém o consiga fazer por vós também? Estou cansado há muito tempo e se calhar o pior que me podia acontecer era ficar fechado em casa mas isso é tão insignificante para o Mundo que jamais apregoaria isso como parte de uma histeria coletiva. Depois de anos a viver numa casa sem água e onde a luz era intermitente e inexistente em tantas noites frias e longas, parecer-me-ia surreal que a minha grande preocupação neste tempo de suposta crise fosse a saúde mental. Talvez fosse mais interessante perceber porque não consegue esta gente ficar em casa. À maioria nem falta internet e atividades. Têm TV, sofá, um quarto confortável e acesso ao Mundo. Então que falta de saúde mental é essa? Não será antes falta de um cérebro? Estes são tempos de crise, mas também deveriam ser tempos de priorizar o essencial. É inaceitável que as nossas energias e a nossa atenção estejam a ser desviadas do fundamental para o básico. A História da Humanidade mostrou períodos de verdadeira crise, isolamento, guerra. É um insulto à História fingir que o COVID-19 é capaz de vir a provocar problemas psiquiátricos severos, para além dos expectáveis no pessoal da área da saúde e de quem perde os seus entes queridos ou fica internado naquele clima pré-apocalíptico. Talvez sejamos todos mimados demais por uma sociedade que evoluiu perigosamente para o egoísmo extremo. Estamos todos cansados demais, mas inventar novas doenças num período tão perigoso é um desrespeito para com as famílias que estão a atravessar momentos verdadeiramente desafiantes. Estão a morrer pessoas nos hospitais. O pessoal dos hospitais está a arriscar a sua vida, a fazer horas intermináveis, a viver longe dos seus para salvar vidas; e estamos agora na disponibilidade de perder tempo a debater a saúde psicológica dos que são tão inúteis que não conseguem ficar em casa fechados em si mesmos? Pois habituem-se e pensem bem o que têm de tão errado que os faz ser incapazes de se suportar. Se não se suportam a vós, quem irá suportar? Se a vossa vida é uma merda, e não aguentam as pessoas da vossa casa, façam algo. Mudem. E com isto arrumo de vez este assunto. Façam o mesmo exercício que eu faço há anos: autoconhecimento e observação ativa do que rodeia. Se não estão bem, façam o que é preciso para ficar bem. Mas não se iludam com uma vidinha egoísta. Todos os meus posts andam à volta disso. Infelizmente o que me causa sofrimento e dor é precisar viver em sociedade e isso ser uma utopia até em tempos de crise. Até em tempos de crise! De todas as grandes crises da História esta é provavelmente a que menos exige das pessoas: fiquem em casa! Vamos preocupar-nos com as pessoas que ficam em casa e com isso deixam de ganhar o sustento ou com as pessoas que não têm casa onde ficar. E porque não com as empresas que não conseguem suportar muito mais manter as portas fechadas. Vamos preocupar-nos com as Pessoas solidariamente. E no meio desses problemas o cansaço psicológico, a histeria e o nosso mal estar só pode parecer absurdo. Só pode. Deixemos o politicamente correto para quando for possível. Ficar em casa estas semanas também tem sido horrível para mim mas quando coloco isso no contexto da situação que estamos a viver parece-me insignificante. É insignificante. Preocupam-me as mulheres e homens que trabalham a horas e que não vão trabalhar e não conseguirão pagar as suas contas. Preocupa-me que se percam empregos e com isso a dignidade mínima das pessoas. Estou muito preocupado com as pessoas mais velhas, sábios do nosso tempo, que vivem tantas vezes sozinhos e em condições desumanas. Só lhes falta pagar mais uma fatura: a da estupidez dos mais jovens e inconsequentes que propagam o vírus. Então falemos das pessoas e do que realmente importa. Quanto ás doenças de foro psicológico, a menos que sejam clinicamente relevantes, aguentem-se. Se não se suportam ou vossa família, mudem. Estão sempre a tempo…

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