Johnny Hooker no Piquenique Dançante – Porto, Portugal

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Há mais de dois anos sinalizei Johnny Hooker como um dos nomes a reter para os anos seguintes. Cedo lhe identifiquei qualquer coisa de muito particular, aliado a um timbre tão próprio que nunca permitirá que o confundamos com outro cantor qualquer. Mas foi só no sábado que consegui finalmente vê-lo ao vivo. Ao primeiro som foi dizendo que na vida um grande amor perdeu. Mas afinal, sempre renasce, numa busca pelos olhos de um amado, ou de um Amor. E logo na entrada, mais que Amor, Johnny Hooker faz sentir que estamos perante alguém Maior que desconhece a sua própria força, mesmo quando se diz firme e forte como um touro. E não há indiferença à “persona”, animal de palco e força da natureza. Não há alma sebosa capaz de limitar o alcance e a qualidade artística do entertainer. E sim, a atitude política, polémica e chocante em palco pode trazer mesmo ódios e inveja. Mas Johnny Hooker vai avisando: “Se depender do seu ódio/Eu não morro mais/Se depender da sua inveja/Eu não morro mais… Vai me ver dançando/Vai me ver amando”. E apetece mesmo amar com mais força, do palco à plateia. Johnny Hooker meteu o pé na estrada para levar mensagem política, artística e Humana. E tudo o que é Humano, é mais interessante… E assim ele canta que nunca foi à Bahia, mas sim, alguém lhe mostrou Caetano Veloso. Refinou letra e música e mostrou que, se quisesse, poderia ser um cantor mainstream e capaz de deliciar um publico comportado e alinhado com o socialmente correto. Mas num interlúdio, ele Volta, cantando por um Amor que se perdeu, motivo de procura pelos bares, pelas ruas, e pelos homens de sexo vulgar e banal. E só pedimos um regresso mas que num encontro fugaz nos desengane de um tempo feliz e de sorrisos. Na sua voz entoa um pedido de desilusão, sem perdão, para os que nos usam e nos marcam. Afinal, nada como fazer uma boa macumba para amarrar esse maldito… Esse mesmo que por vezes nos arrasta para a noite e nos faz beber a madrugada em insónias sincopadas. E não há arrependimento, mesmo quando ainda somos a fantasia de corpos ausentes e o pensamento de alguém. Marcas possíveis de um amor marginal, de abusos e de muitas mágoas. E Johnny Hooker (JH) incorpora aquele amor que nos invade com um só olhar, sem se preocupar em transformar o sexo mais banal em poesia. O orgulho ferido, página virada, e sem sussurrar, continua a curar-se de um Amor. E há uma profecia que se anuncia numa poeira de estrelas: JH nasceu estrela e assim vai permanecer mesmo sem querer… O seu coração de manteiga, assim permanece, mesmo correndo o risco de se destruir, num jogo muito perigoso. E é num beija-flor que se refina de novo como um grande intérprete. Diz bem as palavras, comove e é bem capaz de fazer o que quer, como quer, sem perder identidade. É que tudo o que dizem sobre ele é Boato mesmo. É que de facto JH assume-se, joga-se em tudo o que faz e se arrisca. Tudo o que dizem por aí se resume ás coisas de dentro que é preciso afogar, e ele assume: se envenena. Curioso é que mesmo se quisesse, jamais destruiria talento, porque isso ou se tem, ou não se tem, e quando existe é a bênção de uma só vida. E JH flutua entre fãs, admiradores e mesmo haters. È que em apoteose ele vai ensinando que ninguém vai poder, querer nos dizer como Amar. E é isso que nos levou até lá: Amar é das poucas coisas livres. Corra atrás dessa liberdade absoluta que é Amar sem ninguém pedir… Se algo tenho a dizer, é que JH será sempre um grande artista e um dos melhores da sua geração. No entanto, há exageros sim. Há excesso de mensagem e uma necessidade absoluta de SER. Penso que tudo é autêntico e isso sente-se mas para se libertar um pouco de algumas amarras, talvez fosse positivo ir mais devagar para chegar ás massas e ser levado mais a sério. JH é absolutamente genial e um pouco auto-destrutivo. Poucas vezes senti a grandeza de alguém num palco. Maria Bethania, Milton Nascimento, Maria Rita, Chico César.. e pouco mais me fizeram sentir perante algo tão imenso. JH entra para essa lista. E usando a palavra que ele mais gostou de fazer ouvir: ele é o cara, porra!!

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