Um crente que deixou de acreditar…

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Temo que aos poucos esteja a perder o que me resta de social. Perdi quase tudo o que se pode enquadrar nesse campo. E não tenho qualquer pudor em afirmar que me tornei numa máquina de trabalho. Azedei um pouco. Fiquei sem qualquer vontade de continuar a conviver. As pessoas não são só estranhas ou ocas. De um modo geral vejo que de nada valeu o meu esforço e a máscara que tentei usar, descolou. Estou impacientemente à espera de que a Vida mude, mas a esperança saiu pela mesma porta que atravessei. E não sei viver de saudade, de espera, de evitar dizer o que quero e penso. É cada vez mais difícil olhar o Mundo de fora. Ficar sentado na beira da estrada sem que pó se levante. As pessoas não pisam o chão, apenas flutuam com medo de magoar os pés ou sujar a pele. É tudo tão oco e superficial que sou obrigado a viver de esquecimentos. Tudo é ridículo ou vasto demais para se definir por palavras. Tudo é custoso de ver, e as insónias demoram a passar e moem o que nenhum moinho tem força para esmagar. Os grãos da minha dúvida e o cansaço da minha semente, não me permitem uma nova colheita. E esbarro com o que existe. Preciso de um pouco mais de força, mas não sei o que fazer quando se esgota. Desaprendi a reinventar uma força que nunca tive. Não me deito de consciência pesada. Simplesmente não durmo inconscientemente. E assim me defino como um inconsciente, fazedor de coisas que já não interessam numa sociedade que deixou de se preocupar com o melhor para todos. Somos uns órfãos de cuidado, sem qualquer talento para cuidadores. E não me apetece mais esconder os medos mais infantis, as inseguranças infundadas e o cansaço. Não é só o cansaço… não pode ser… e estes fantasmas que me perseguem. No fundo só queremos um abraço longo, um pouco de atenção e um murmúrio que soe a Amor. Não é pedir muito: pede-se tudo. Deixei de ser um trapezista sem medo da ausência de rede. Pondero menos, perco mais, e a queda é sempre grande. Quero recomeçar de novo, e nem sei por onde começar. Esgotei-me em corredores paralelos de uma mesma saída que soou a repetição… E assim me vejo sem saída, num cansaço que provoco a mim mesmo. Já sei onde vai terminar. Já sabia quando começou e mesmo assim domestiquei a insegurança para fingir que estou certo. Erro mais do que devia e julgo-me por um espelho que mostra o que quero muito ver. No fundo sou um crente, que deixou de acreditar…

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