Filipe Catto em Estarreja

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Filipe Catto não desligou a tomada neste ultimo album, muito pelo contrário. É sem dúvida um dos grandes novos nomes da Musica Brasileira e ontem, em Estarreja, não desiludiu. Estreeou o novo show com uma pujança que não deixa qualquer margem para equívocos. O som estava divinal e, apesar de curto, o show deu dimensão ao novo album. Já no ano passado tinha ficado com a absoluta certeza de que Filipe Catto faz parte daqueles raros artistas que se engrandecem ao vivo. Tudo fica melhor e soa mais perfeito. É um animal de palco, dono de uma divina presença e uma voz perfeita e afinadíssima. Em “como um raio”, abriu o show com o que dizem por aí: que não é nada, que perdeu direção e que já nem sabe cantar. Mas ganhou o público ao primeiro som. Catto canta como poucos. É um raio que acende a luz no breu. E deixou de ser lua deserta, o seu amor se derrama num nascimento de vénus que evoca a beleza de outros tempos onde arte a amor eram tudo. E fez a sua versão da “canção de engate” do nosso António Variações. Catto transformou-se mesmo naquele que busca quem quiser e não, ele não é melhor que nada. Trata-se ali, no palco, de um dos maiores cantores da sua geração. Ele faz parar o movimento, a gravidade e todas as pessoas do lugar. Faz parar tudo com a sua voz, e de um só olhar. Imprecisos beijos, clamou tudo o que é capaz de fazer só por ti, como se súbitos hábitos, fossem só por ti. Amantes inimigos, expõe o arco de luz que pôs lá no céu para que possamos ver. Reviu e refez o repertório mais antigo com versoes muito curtas e breves. E foi a torrente que anunciou que a vida nos consome e sempre se revela em todos os cantos e esquinas. E terminou lembrando que caiu para aquele que um dia o fez cantar, escorregou do ombro daquele que um dia fez voar. E, para mim, foi o momento mais emocionante da noite. Que letra e interpretação! É tudo por um triz, viver morrer e fugir. É bom não esquecer que quando nos cansamos de ser felizes, é rápido cair aos pés de quem se aproveita dessa nossa rampa para voar… e largar. Letra divinal, arranjos fantásticos e com uma dimensão que só visto ao vivo. Foi um momento que me levou às lágrimas. No bis, Catto lembrou que não, nao quer mais pouco. Essas pessoas de máscara fingida que usam como rosto, um dia compreenderão que ela se vai desmanchando dia a dia, pouco a pouco. E aqueles cujas palavras soam mais frias que o chão de casa em dia de inverno, nao podem impedir o sol de nascer na nossa vida. É por isso melhor avisar: eu quero que você se foda. Sim, e se exploda. E que se foda! O show terminou. Foi curto mas grandioso e Filipe Catto mostrou ao que veio. Mudaria duas coisas: o encadeamento do repertório e a roupa. Penso que com um diretor e alguém que conheça bem o repertório, Filipe Catto poderia fazer shows ao nivel de Maria Bethania. Basta querer e se esforçar um pouco. Gostaria muito de o ver enveredar por essa vertente mas se não o fizer, tá bom também. Quem tem um dom não precisa de muito para brilhar e ele tem o dom da música. Soa a artista, posa como artista, ri como artista e…é um artista completo. Palmas para Filipe Catto… e como ele próprio disse: até breve. Fica o single e ultima musica da noite: https://www.youtube.com/watch?v=dcebZ618uxY

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