Carta ao Pai Natal 2017

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Não houve equívoco no meio das circunstâncias deste ano que passou. O balanço será feito mais tarde, mas face à tradição que quero manter, preciso pedir algo para o dia de Natal. Este será, provavelmente, o último ano que vou passar em casa da minha mãe. Estava já decidido não o fazer este ano, mas é melhor ir com calma alertando e ameaçando antes de fazer cumprir o que está decidido há muito. É que preciso mesmo de passar esta época no conforto de um lugar sossegado, reservado e onde se respire calma e tranquilidade. Sei que pode parecer difícil de compreender mas o consumismo, o barulho, a violência da invasão de privacidade por parte de estranhos, estraga completamente o meu Natal. Viver isolado, ser e estar isolado, pode ser uma opção de vida tão válida como outra qualquer. Este foi novamente um ano de muito turbilhão onde sucumbi a continuar a distribuir ajuda e apoio a quem não merece e não quer merecer. Cumpri o meu dever de apesar de tantos pesares esticar a mão a quem sempre me tenta esbofetear. Não é a minha sina, não foi predestinação. É o meu modo de ser que fica em causa quando, em mais um fim de noite descompassado, me pedem cartas de recomendação, dinheiro, compreensão ou perdão. Perdoei tudo, mesmo o que não devia. Recomendei quem não merece sequer um segundo olhar. Emprestei dinheiro. Tentei compreender com o máximo do meu entendimento o que é incompreensível aos olhos de qualquer pessoa, humana. E perdoei tudo e todos ao meu redor, esquecendo que o maior perdão que posso dar é a mim mesmo pelo mal que vou impondo à minha própria vida. É esse o meu pedido para este Natal: paz e sossego para que no conforto da minha solidão encontre uma maneira de me perdoar e dar descanso emocional. Não peço mais o cheiro das bolachas de gengibre. Não quero mais as broinhas de Natal e a inocência das crianças. Se for possível, e apenas porque mereço, quero encontrar um jeito de deixar de me penitenciar pelos erros do passado e pelo mal que me sempre me fazem. Eu não tenho nenhuma deformação e nem sou responsável pelos atos tresloucados de terceiros. Nunca existiu em mim tanta felicidade como neste ultimo ano, e ao mesmo tempo tanta lucidez para compreender que eu tenho sido o maior responsável por um certo impasse que deixei que se instalasse durante anos. Peço por isso paz, serenidade e capacidade para apreciar a bênção que tem sido este meu caminho. Aproximam-se coisas importantes, viagens e mudanças extraordinárias. A minha vida é uma bússola com o Norte bem definido e uma viagem maravilhosa. Peço por isso apenas capacidade para a viver e apreciar. Sei que não existe um Pai Natal, mas se existisse ele me daria isto tudo. Eu sei que sou um bom menino…

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