Do tamanho certo para o meu sorriso – Fafá de Belem no Coliseu do Porto

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Não vou endeusar Fafá de Belém porque comparações à parte, a Diva brasileira falha e é muito mais humana em palco que a mais que perfeita Maria Bethania. Fafá, essa mesma de Belém, é muito mais que uma boa cantora brasileira. Já escrevi, num outro formato, sobre a sua importância na história política do Brasil. Poucos saberão dessa faceta porque Fafá de Belém tem sido, injustamente, pouco acarinhada pelo publico. A sua dimensão estaria ao nível da sofisticação de alguém que no auge da fama fez o que quis, viveu como lhe pareceu melhor, e descobriu estilos musicais que hoje são sucesso. Que ninguém duvide que a musica brasileira e o Brasil devem muito a esta Mulher. E um pormenor delicioso: poucas mulheres no mundo deram o nome a um carro. Provavelmente só mesmo ela. Mas nem tudo é perfeito. Talvez pela emoção, nervosismo ou cansaço, Fafá erra letras, sai das marcações e empobrece o espetáculo e toda a organização que estava preparada. A sua voz também não estava bem, virtude de uma constipação e dos dias intensos de festa que viveu onde deu vários shows por dia no Brasil. Mas claro que isso se fez sentir no coliseu… Os cenários eram chiquérrimos e a entrada triunfal com a grande musica: “Volta” de Johnny Hooker iniciou um grande evento! Pediu de voz sofrida para que o seu amor voltasse, assumisse a brincadeira de uma fuga onde o amor prevalece, e o obrigasse a pedir desculpa. Mais uma vez… Em seguida foi pelo asfalto amarelo prometendo carinho, beijos e desejo. Cantou “bilhete” de Ivan Lins, uma música onde se entrega um amor morto aos seus de direito, e boa sorte, rumo a uma vida nova. E avisou que quando se pega numa pedra sem valor e se coloca numa vitrine, valoriza-se o que nada vale. E um a zero, Fafá ganha no jogo. Deitou-se numa cama e foi rolando pedindo uma cavalgada no corpo, deitar num regaço, vencer o cansaço e se sentir mais gigante, ou menina. Sempre sabendo que agora, quem não quer é ela. Mulher livre e solta. Confessa que no fundo foi ela quem usou e abusou, mas também quem se desgastou. É assim, quem se galanteia de usar, é normalmente o usado embora provoque desgaste. Chegou um interlúdio e Fafá regressou com sedução, uma prenda do Deus maior Milton, e uma definição dela mesma: mulher, bonita, gostosa, matreira vai…zombando dos homens. E sim, encaixou gritando que o seu coração é brega. Muito antes de brega ser popular e chique. As mulheres que andam à frente do seu tempo sofrem… E caiu o pôr do sol, nesse onde a lua vai aparecendo e dizendo que alguém a chamou e a entregou de bandeja ao seu amor. Fafá nunca é abandonada e o coliseu cantou, sozinho, sem instrumentação a atrapalhar a música. Inteira. Fafá chorou muito e começou a errar sucessivamente. A emoção tomou conta do seu coração. São muitos anos de amor mutuo. Ela foi feita sob medida para os nossos carinhos. Vieram o merengue e os passa-vida de um entoada muito Belém do Pará. Ela é Belém. E foi assim que foi chegando o fim… e de olhar envenenado de emoções e lágrimas, errando por todos os lados, o show foi terminando. E se não sabem ainda, o seu nome é Fafá… sim, Fafá. E este show foi feito no tamanho certo para o meu sorriso, e não o dela. Talvez o final tenha sido dispensável na entoação do hino de Portugal. Trocava isso por ouvir “coração do agreste”. Fafá falhou muito aí. Se tivesse começado a cantar essa música iria ter uma grande surpresa: todo o coliseu ia cantar e um arrepio ia atravessar na espinha de todos. Talvez ela soubesse que não aguentaria a emoção. É que não havia quem não conhecesse essa música emblemática. Fafá é grandiosa, emotiva, importante e relevante. Está acima do seu tempo e do seu espaço. Mas fica sempre a sensação de que com um diretor certo ela seria capaz de fazer um show histórico. Penso que até eu, com o conhecimento de MPB e de Fafá, a conseguia ensaiar e produzir um grande show como ela merece, com o repertório que ela precisa para mostrar o seu poder. Fafá é Diva maior e parece ter medo de o assumir. Tem presença, voz, carisma, poder, capacidade. Só lhe falta mesmo produzir o grande espetáculo da sua vida. Sei que o verei porque Fafá merece… e nós também. Que noite linda do tamanho certo para o meu sorriso!

 

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