Todos os sonhos do mundo

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No meio de uma aldeia quase perdida, de uma ilha do continente africano, encontro a frase: “Tenho em mim todos os sonhos do mundo”, de Fernando Pessoa. E é exatamente assim que tenho sentido a minha vida. Foi um dos momentos mais altos das minhas ferias até agora. Infelizmente não pude fotografar porque ia de “coletivo”. Isso mesmo, um transporte de nove pessoas partilhado. As coisas em que me meto! Hoje fui ver mais uma praia deserta, cheia de dunas e com um mar espetacular. A aldeia mais perto, a uns bons quilómetros, era desoladora. Nao tinha café, bar ou restaurante. As crianças, de uniforme, e ás dezenas, esperavam o autocarro para a escola. E tudo parecia ter o seu espaço, e o seu tempo. As dunas são deslumbrantes mas é extremamente cansativo chegar face ao constante sobe e desce. E, por ironia do destino, quando cheguei ao mar ele estava violento, com ondas enormes e fortes. O cansaço continuou. Que se esqueçam os horários porque foram precisos mais de 40 minutos ao sol até conseguir um “coletivo” de regresso… O tempo é mesmo relativo. Toda a viagem é uma paisagem desoladora e até assustadora. É uma beleza árida e seca… e pelo meio a mensagem de Fernando Pessoa. Euforia no “coletivo” e eu a olhar entusiasmado para a frase que diz tanto sobre mim. Fernando Pessoa é nº1, o melhor… até em África. E sim, trago em mim todos os sonhos do mundo. Eu acredito nisso e luto todos os dias para que assim seja. Terminei o dia a jantar com o mar enquadrado no horizonte. Comi um peixe chamado lobo. A D. Natália tem tratado bem de mim… ainda há muita gente especial para descobrir. Se antes tinha uma cadela enorme que me seguia para todo o lado, agora ganhei mais um admirador, e são já dois os cães grandes que me apresentam a ilha e andam ao meu lado. Hoje até se deitaram na praia ao meu lado. A ilha é assim: carinhosa e protetora. Foi engraçado estar no mar a nadar e ver alguém correr em direção ao sítio das minhas coisas e os cães saltarem logo para proteger o meu espaço… O rapaz é que não achou piada e teve mesmo de se atirar para a água. Foi um misto de susto e atrapalhação. Aqueles cães, apesar de grandes, não fazem mal a uma mosca e têm também contribuido para que esta estadia esteja a ser especial. Tem sido tudo de um carinho, de um afeto e de um bem-estar tal que não puderei nunca explicar nem agradecer. Era disto que precisava. E nas dunas, antes mesmo de ler a mensagem que alguém escreveu do Fernando Pessoa, já tinha em mim que trago muitos sonhos para realizar. E quando regressar vou trabalhar para isso…

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