Contemplar

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Nem todos os dias são produtivos, mas não deixam de ser cumpridos. É neste longo equilíbrio de fazer e cumprir, que a vida se vai encaminhando para um lugar qualquer que desconhecemos. Avançamos em direção a uma luz qualquer que quase não vemos, um objetivo que traçamos, um Amor que sentimos por alguém, pela família, pelas crianças que inocentemente plantam uma força que desconhecemos. Sempre que alguém pensa em entregar a vida ao criador, deveria olhar para o sorriso de uma criança. A inocência, essa mesma que nos castiga enquanto adultos, traz um conforto. E é nesse estranho conforto que me encontro. Estou inocentemente a espreitar a vida de relance. Quieto e a seguir em frente, sem atenção ao mal, vendo apenas o que me faz bem. E sim, o doido sou eu… que escuto vozes, porque não pode haver gente tão insana, futil, mentirosa, podre, sebosa. O doido sou eu que ouço vozes… não há gente tão mesquinha, cínica, má. Não pode haver. Se acreditar que não estou louco perco a inocência e a esperança na Humanidade. E eu sou acima de tudo Humano. Sou companheiro, amigo, tio, chefe, irmão, filho… mas acima de tudo sou Humano e acredito na Humanidade enquanto força transformadora da sua própria sorte… e da vida dos outros. É preciso espalhar muito trabalho para recolher uns quantos frutos. É por isso que todos os dias temos de levantar, ir, fazer, voltar. E ás vezes rimos, brincamos, somos felizes. Sou muito realizado no que faço e tenho o privilégio de ter sido escolhido pelo destino para o fazer. Tudo foi por uma conjugação de circunstancias que não foram da minha responsabilidade. Apenas fui trabalhando arduamente para colher os frutos. Hoje estou satisfeito e posso dizer que os meus dias me trazem um sentimento de cansaço bom porque esta é a vida que eu escolhi e que me causa espanto. Ainda olho para a minha vida com a mesma inocencia de não perceber como cheguei ate aqui. Esta viagem foi tão rápida, e tudo foi tão intenso. Igual a esta foto, tirada em Praga, há uns anos, enquanto via a cidade voar, do cimo de uma montanha. E por lá fiquei numa noite quente, quase como se fosse um sonho de Verão. Estava sozinho, mas de olhos fechados, parecia ter a companhia de todo o mundo. Foi um tempo de encantamento que retorna aos poucos. A contemplação é, em si mesma, uma alegria.

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