Ensaio sobre o Amor que envelhece

O Amor também envelhece. Mas se para uns amadurece e torna-se vintage; para outros que o usam e mentem, entra em falência de sentimento e torna-se vinagre. Claro que se há Amor, não há a mínima possibilidade de se transformar em menos que uma ternura grande, uma necessidade constante de estar. Infelizmente, quando Amar se torna num jogo de interesses para uma das partes, há a tendência para ridicularizar algo tão bonito, nobre e raro. O Tempo sempre se encarrega de mostrar quem é quem. Existe quem consiga fingir muito tempo, mas nunca uma Vida inteira. Pertenço à velha escola dos que desfilam na avenida da Vida sem banalizar a palavra “amo-te”. Disse a tão pouca gente, que uma mão chega e sobra. E provavelmente vou morrer sem aumentar muito o número. É que o meu Amor envelhece. E vai-se decorando de finos luxos, de pequenas conquistas, de pequenos gestos e de um ritual todo meu de cuidar. Nunca entra em falência e é alimentado pelos sonhos que relembro de tempos antigos, quando a Vida me era madrasta e violenta. Hoje vejo o Mundo com os mesmos olhos inocentes e tranquilos. Cheguei onde era suposto. Cresci depressa e com princípios dignos e de respeito. Agradeci e agradeço a todos os que permitiram que me engrandecesse para entre os meus e para fora. Os que me amam desde hoje, os que me amam de um modo vintage, e os que me respeitam e dão força para continuar. Mesmo sem saber. São as crianças, sobrinhas e sobrinhos de sangue e de afinidade; são os amigos que me prestigiam com o seu abraço nos momentos mais difíceis como os que tenho passado. E é o Amor dos que se atrevem a gostar de mim, apesar de mim. E eu não sou, nunca fui e nem pretendo ser coisa pouca. Sou da dimensão certa de uma pessoa que nasce com um futuro negro e o torna branco. E não adianta tentarem conspurcar a minha Vida com romances e aldrabices. Se sou enganado não é porque mereço; é que há uma espécie de esquizofrenia coletiva na busca de usar e deitar fora. Eu posso ser descartável para uns, mas basta ser necessário para um e tudo faz sentido. O Amor envelhece. E eu também envelheço. As mãos ganham linhas marcadas pelo tempo. Os olhos deixam de ver tão bem. O corpo deixa de responder. A beleza, que nunca foi muita, desaparece. Mas Eu continuo na luta… e na luta vou morrer, porque depois de morto terei muito tempo para descansar. E isto vem na sequência de uma excelente notícia que tive hoje. Finalmente chegou um contrato que ansiava. E isso representa, mais do que um aumento salarial enorme, um reconhecimento e uma conquista de um Amor incondicional ao trabalho. E festejei apenas com este ensaio, uma explicação gratuita a um miúdo que quer entrar na faculdade, um copo de whiskey e um beijo a todos os que me querem bem. Os que se atrevem a gostar de mim, apesar de mim, mesmo quando eu próprio tenho reservas em me aceitar. Para mim hoje foi um Grande Dia. Não procuro justificações nem desculpas para nada. Vou em frente apesar dos traumas, das dores, dos problemas, das lágrimas, da minha bagagem. E os que não gostam de mim, ou que me usaram e até abusaram da minha boa vontade, não conseguem encarar-me. Olhar-me nos olhos e dizer que errei ou que o meu Amor foi vinagre. Não são capazes de se sentar ao meu lado e conversar. E a razão é simples: mesmo quem finge não ter consciência, sabe bem o que diz e faz. E sim, sou muito imperfeito. Mas o meu Amor sempre envelhece. E se há coisa que sei, é ser grato. Estou muito grato aos que cuidaram do meu coração, e me ajudaram a atingir este nível profissional. A gratidão é um dos valores mais importantes para mim. E nunca vou esquecer de onde vim: de uma casa sem eletricidade e quarto de banho, onde chovia e vivia em constante medo e choro. Ainda ouço os gritos, a mota do meu pai chegar e as corridas para a cama, onde fingíamos dormir. Cinco na mesma cama. Lembro do colégio e da violência física. Abraço-me em silêncio e digo: Parabens. Não és perfeito. És exatamente o que se quer: Humano. E digo-me mais: és corajoso, quem dera a muitos olhar-te nos olhos com a mesma coragem. Mas a Vida é assim. Para uns o Amor envelhece, como vintage; outros mentem e escondem-se, tratam o Amor como vinagre… E como a música é para mim tão importante como respirar, aqui segue: https://www.youtube.com/watch?v=xtHpd2QeylM

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