Ensaio sobre a falta de interesse

Para a falta de interesse não há cura. Se não queremos saber, então para quê  perguntar? Se não há motivo para querer, então para quê mentir? E de tudo o que escrevo sou dono total e responsável. É o que sinto, é o que penso e o que quero. E se no calor do momento me exalto, digo o que penso com filtros carregados de indignação. É que não me adapto. Não consigo aceitar facilmente ver como as pessoas se vendem por tão pouco. A dignidade Humana deixou de ter qualquer valor. Os afectos não valem nada, o Tempo e o Amor não contam para nenhuma decisão. Destroem-se afectos e sentimentos com a facilidade de um não sei quê sem nexo ou sentido. É inebriante a luz que faz com que se pisem pessoas que dão de si pelos outros. E tudo tenta se encaminhar para uma perfeição, mesmo sabendo que o imperfeito é muito mais sincero e humano. E quem não nos procura, é porque simplesmente não nos reconhece valor. A falta de interesse para com a nossa Vida é um sinal de desrespeito. Principalmente se nutrimos sentimento pela pessoa. Amar nos dias de hoje tornou-se um jogo de interesses com vencedores e vencidos. E termina quando alguém se declara vencedor e decide que o benefício de estar junto terminou. Quando as pessoas deixam de precisar, e ganham orientaçao e sentido, demonstram efetivamente o seu verdadeiro caracter. Infelizmente o Amor termina quando o benefício de estar junto deixa de pesar na balança. E este egoísmo ingrato torna a vida das pessoas num mundo de aparências que as satisfaz. No fundo, lá dentro, que máquina funciona? É o vazio de sentimentos, um desinteresse por tudo e por todos. E celebram a Vida num corropio de busca de benefícios, numa fuga desenfreada por uma meta que nem sabem o que é ou onde está. Não há destino, direcção ou plano a longo prazo. Há só desinteresse. E a falta de interesse é uma falta de Amor. Se não nos interessamos pela família, não a amamos. Se não nos interessamos pelo trabalho, não o amamos. Se não nos interessamos por saber de alguém, é porque não amamos essa pessoa. E isso ás vezes magoa muito a quem se sente abandonado. E hoje acordei assim, com o pensamento fixado em quantas mensagens mereci e não recebi, e quantas deixei de fazer. E foi de repente, tão de repente que quase me assustei, que percebi que o maior desinteresse que tenho é por mim mesmo. Como pode ser? Olho-me no espelho, cabelo quase rapado, olhos abertos e pestanas compridas, e percebo que me deixei aprisionar num ambiente pouco saudável e de desinteresse por mim próprio. Não escrevo com a mesma pujança e interesse de antes, não leio com a mesma vontade, não saio com o mesmo vigor, nem sequer vejo televisão ou me distraio com as coisas inúteis do dia-a-dia. E é assim que o Tempo se vai gastando e me consumindo. Vale-me saber que vou Amando para fora. Que me interesso por quem gosto, que pergunto, que abano quando preciso mas que estou sempre presente, sem falhar, quando me pedem. E isso me consola: não falho quando me pedem ajuda. Não abandono, não vivo a somar benefícios, não vendo o corpo, a alma, ou a dignidade. O que escrevo é tão genuíno como vivo, penso e amo. Seria incapaz de ser ingrato com alguém. O mundo dá muitas voltas e nunca se sabe o dia de amanhã. Quem me estende a mão, nunca a recolherá ferida. Sei o valor de um gesto de carinho na hora certa… E a dor de um desinteresse, ou de ser usado em troca de um benefício qualquer, também conheço e não esqueço… A falta de interesse é também falta de amor. E a falta de interesse é falta de gratidão. E quem não sabe agradecer, não sabe Viver. E então fica o meu interesse genuíno, com direito a banda sonora: como vai voçê? https://www.youtube.com/watch?v=hqszwWBp9Yg

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