Ensaio sobre ir para casa

De vontade em vontade, vou adiando o meu descanso e prazer. Sinto a falta da Vida tranquila de outros tempos em que me sentava, rabiscando opiniões e em busca de um sentido. Hoje tive um dia péssimo e depois de umas quantas desilusões, frustações e umas mágoas, decidi que as coisas têm de mudar. E vão mudar mesmo. Farei as férias que mereço. Vou fechar portas, desistir de resistir, e regressar a mim mesmo. Há sonhos que são meus, e que não adianta expôr mais… São coisas minhas, necessárias ao meu quotidiano e à minha sobrevivência. Não há esperança quando os sonhos separam pessoas em vez de as aproximar. Os dias são aparentemente maus, mas não posso deixar que tudo se desmorone. Hoje não. Nem amanhã. Nem esta semana, nem na próxima. Nem no futuro próximo que a mim mesmo prometi. Eu vou. Irei em frente porque me sinto de peito cheio,  transbordo oportunidade e boa vontade. Quero regressar a um tempo onde não duvidava nem um pouco do que me espera. E eu era destemido. Alegre. Feliz… Hoje sinto que quanto mais dou de mim, menos recebo. Hoje foi um dia horrível e deito-me com uma mágoa horrível e um sentimento de rejeição imenso… É um infinito moer e uma dor dificil de explicar. Faz um ano e meio, passei uma tarde de um velório, envolto em lágrimas, a escrever um projeto para financiar uma pessoa que hoje me disse algo que me fez arrepender.  E isso incomodou-me porque eu não devia fazer nada por ninguém esperando um reconhecimento, uma palavra de incentivo ou um apoio. Fiquei frustado por sentir o arrependimento de ter feito um exercício de superação por alguém que não se importa de pensar apenas em si. E de tarde, continuou. E de noite, piorou, e coisas piores aconteceram… E a rejeição não me assusta. Nem a superação. O que machuca é sentir que posso estar a mudar para pior. As pessoas não partilham dos meus sonhos, das minhas metas, dos meus objetivos nem se preocupam em como me sinto. Não pretendem imaginar o que é estar na minha pele. Esquecem que por detrás da pessoa dos momentos difíceis, das palavras duras e da análise crua, há uma pessoa que sangra. Há uma pessoa que apaga as luzes e vive com os seus próprios demónios… Sou um sortudo e eu sei disso. E vou viver isso de uma maneira melhor e mais definitiva. Tive um momento de lucidez, daqueles que nos fazem mudar de vida. Depois de um longo transe e de um definitivo soluçar de porquês, larguei o peso que trazia. Fuck You! Fuck Them! Não vou duvidar do meu sucesso e sentir-me feio, triste e desrespeitado. Vou sair sambando na avenida. Espero que me assistam do camarote e me vejam passar, de olhos magoados, mas mudado. E as coisas vão mudar. O sonho é meu, o caminho é meu, e se não me satisfaz, muda-se. Sou mais do que um cifrão ou um eterno rejeitado, ignorado e ofendido pelas pessoas que mais me devem. Nunca pedi muito: só para não me enganarem com palavras bonitas e gentilezas. É que eu infelizmente ainda acreditava nas pessoas.. E como estou a tornar-me numa pessoa que não gosto, que insiste em quem não vale o chão que piso e se deixa calcar, sei onde regressar: a casa! Acabando as minhas obrigações da próxima semana vou para casa da minha mãe uns dias. E de lá vou de férias para um sítio qualquer. Vou relaxar e mandar todos apanhar batatas simbólicas. Vou dar-lhes o que tanto querem: férias num torneio qualquer, numa vida vazia, no oco da sua estupidez e mediocridade. Que sejam felizes na ganância, na soberba e na maldade, porque eu vou viajar e recuperar forças. E quando regressar, estarei diferente. Porque eu mereço mais e melhor, e vou deixar tudo o que me limita e impede. Afinal eu não sou sortudo. Sou é trabalhador e tou farto que gozem comigo. Vou para casa no fim da próxima semana. E de lá vou embora. E para algumas pessoas, para sempre… Não vão continuar comigo, ao meu lado, porque tenho muitos sonhos, e se não acreditam ou não querem ver, o melhor é esquecer. Juro por mim mesmo e pela dignidade que me resta, pela Vida que aprendi a respeitar nos momentos mais difíceis. Hoje algo mudou e faltam apenas uns dias para que regresse a casa. É engraçado que há uma música, que me põe de lágrima fácil, que fala de regressar a casa, e refere Paris e Roma como locais distantes. Essas são cidades que visitei este ano. E como não há coincidências, e embora a mensagem não seja a correta porque EU É QUE MEREÇO MUITO MAIS, EU É PRECISO OUVIR PESSOAS IMPLORAREM POR VOLTAREM A CASA, essa casa simbólica feita dos meus braços que tudo fez para as acolher, e hoje são pequenos para agarrar suas excelências; aqui fica a música: https://www.youtube.com/watch?v=0fhwd-IErcg

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