Ensaio sobre assombrações

O ultimo ano tem sido uma viagem estranha. Não tinha percebido que estava numa subida de uma montanha russa, e desde então a minha Vida tem sido uma descida vertiginosa. E logo eu, que sempre odiei esse tipo de diversões. Parece que após uma boa notícia, ou uma recuperação lenta, algo acontece e traz de volta a sombra e as assombrações. E agora, porque assim permiti que acontecesse, ressurgiu um fantasma para assombrar os meus dias. Paira no meu dia, caminha nos meus sonhos durante a noite e está instalado de novo no meu corpo. E para me libertar disto preciso de tempo e espaço. Talvez uma febre forte e um delírio de consciência. Preciso de um caminho e de distrair-me. Sempre me convenci que sou verdadeiramente abençoado. E para provar isso mesmo, dou-me ao luxo de ir para Paris nos próximos dias. É em trabalho, mas vou aproveitar para espairecer um pouco. Caminhar pela cidade, mãos nos bolsos e uma respiração calma e serena. Os fantasmas seguir-me-ão, mas aos poucos ficarão de novo submersos em novas memórias. E é assim que também se constrói uma história de sucesso: enterrando os fantasmas do passado, vivendo com olhos postos no futuro. Não podemos permitir que as coisas negativas e destrutivas do passado nos consumam a paciência, a carne, o corpo e a Vida. O que não tem solução, está solucionado. Não podemos mudar o passado, o que fizemos, o que nos fizeram, mas podemos construir um futuro mais risonho. E desse futuro, podemos deixar uma marca no mundo. Uma gota no meio da tempestade que pode servir de fonte de vida para uma flor qualquer. No deserto mais seco, mais árido, podemos fazer brotar um oásis. É nesse oásis que reside a salvação… Não há fantasmas suficientemente assustadores para derrubarem a vontade de quem anseia mudar de Vida. Não há força destrutiva suficientemente forte que impeça a vontade de ser melhor, ir mais longe e mudar o rumo dos acontecimentos. Preciso muito desta viagem a Paris. Vou com a máquina debaixo do braço e com uma vontade de sair a caminhar pela cidade. Cumprirei todos os compromissos profissionais mas não vou esquecer que há fantasmas a serem caçados e guardados de novo no caixote das coisas “a esquecer”. Espero vir de lá com tudo catalogado, guardado e fechado durante muito tempo. De preferência para sempre. Há coisas que mais vale fingir que nunca esqueceram do que falar muito delas. É doloroso demais, é triste demais, é de uma solidão e um sofrimento que não merecem qualquer recordação. Ter a lucidez de autoanalisar toda a nossa vida é uma arte necessária para que possamos compreender o que temos, o que somos, o que queremos e para onde vamos. Eu sei o que tenho… sei o que sou.. o que quero… e tenho planos e projetos para onde me dirijo. Se vou conseguir não sei. Provavelmente este ano trouxe-me um desgaste e um envelhecimento rápido que dispensava. Mas vou andando em direção ao que quero. Caminho sob um arame, sem rede. Ventos fortes derrubam-me, mas preso pelo dedo mindinho subo de novo o arame e continuo. Os fantasmas não vão ficar em Paris, mas estou crente de que conseguirei regressar com energias redobradas e sem assombrações. Sei que assim será porque vou trabalhar para isso, porque esse é o meu objetivo e porque não há alternativa. Estou a sentir-me muito cansado e psicologicamente muito afectado. O melhor é ir respirar um pouco e esquecer que quem tem o dever de me proteger me expõe tantas vezes a fantasmas perturbadores. Ás vezes o melhor é não ter fé e nunca esquecer que contamos apenas connosco. No fundo, Viver é uma viagem solitária onde tudo é milagre. E as nossas assombrações divinizam-nos: https://www.youtube.com/watch?v=okRBQ9Yerbs

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