Ensaio sobre uma carta ao Pai Natal 2014

Querido Pai Natal:
De tão tarde, esta carta quase não conhecia a existência. Por ironia do destino, acaba por ser escrita na hora certa, sem pressas nem necessidades. Longe de más notícias, ainda que existam, perto do coração. Faltam apenas 24 horas para se abrirem as prendas cá em casa. Talvez esta carta vá tarde demais ou chegue na hora certa. Depende de tanta coisa que nem vale a pena pensar. De pouco serve escrever, sem prazer ou satisfação. Dito isto, escrevo ao Pai Natal para pedir o mesmo de sempre: paz e amor. Não preciso de bens materiais, prendas caras ou pedras preciosas. Nada é mais valioso que uma amizade ou o amor verdadeiro de alguém. E isso penso que tenho. Nunca é demais, mas vou tendo. Todos os anos a conversa é a mesma, e não me ouves! Penso que não é por merecimento ou por incapacidade. É que vivo num País onde as pessoas desprezam o facto de terem de viver em sociedade. Vivo num Mundo onde os bens materiais são mais necessários que um afecto ou um abraço. Estou rodeado de gente preocupada em aparecer, e pouco em Ser. Por tudo isto, exijo apenas paz. Quero continuar no meu caminho, falhado, perigoso, carente, errado… mas meu. E isso ninguém me pode tirar. Penso que tudo isto cabe no saco do Pai Natal: nada com muito de esperança e paz. Estou cansado de ter à minha volta guerra. Fui criado num ambiente assim, passei uma adolescência turbulenta e quero viver a vida adulta numa velhice precoce provocada por um amadurecimento fora de época. De tudo ao meu redor, só sinto falta de momentos de tranquilidade. Preciso disso para seguir o meu caminho em direcção a algum lugar que não sei onde fica. Por isso, para este ano, num acto egoísta, vou pedir apenas que me traga um período de paz e tranquilidade. Numa época de grandes dificuldades, sou um privilegiado que vive do suor do trabalho e ama o que faz. Assim, nada me falta de material. Tenho conforto e não passo qualquer dificuldade. Preciso só de continuar o meu caminho com paz e sossego para que as minhas baterias recarreguem e continue com força a descobrir o meu caminho. Este ano, pouco inspirado, espero o Homem do saco vermelho, para celebrar um Natal que espero diferente dos outros. Estou em família, mas um pouco deslocado. Só preciso desta carta para alertar o mundo que em mim impera uma necessidade absoluta de paz. Estou em perfeita sintonia comigo e com o meu presente. Por tudo isso, só lhe peço, Senhor do saco, traga-me paz… e uma boa música de fundo… https://www.youtube.com/watch?v=2MpzVnJi3Qo

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