Ensaio sobre a exaustão

Estou exausto. Cansado como nunca estive. Não durmo. Como apenas o suficiente e não consigo concentrar-me. Começo finalmente a perceber que não posso salvar, nem ajudar, quem não pretende sequer ter-me por perto. Sou muito incómodo quando penso mais nos outros que em mim. Não é certo querer que as pessoas se esforcem por si, pela sua própria Vida. Vai sendo tempo de aprender a esquecer, como me esquecem. Apesar do medo de me vulgarizar, de perder qualidades Humanas, tenho mesmo de aprender a lidar com a perda. O Mundo é desses. Dos que se usam e abusam, e se esquecem com a facilidade com que se troca uma camisola. Estou exausto. Cansado da luta diária por algo melhor para mim e para mais que Eu. Devia trabalhar concentrado nas minhas coisas. Devia ter como prioridade apenas o meu bem-estar e o meu equilíbrio. Ha dois anos atrás estava assim. Tudo ultrapassado. Resolvido e com as prioridades certas. De repente tudo mudou. Voltei a um velho hábito de me apagar. De esquecer que o meu Grande Luxo é lutar diariamente por tudo o que tenho. Nada me foi oferecido. Nada me é entregue de bandeja. Dou valor às pequenas coisas e aos pequenos gestos. Quem me estica a mão num momento de desequilíbrio, terá sempre o meu ombro. Não cuspo, não maltrato, não piso, não julgo porque não sei brincar ás divindades. Vivo com os pés assentes na terra, embora a cabeça por vezes viage no mundo dos sonhos. Estou exausto por passarem por mim aos encontrões, apressados por chegar a lugar nenhum. Estou exausto por segurar o que não é nem pode ser responsibilidade minha. Não faz sentido ficar a sofrer em vão, na ânsia de conseguir o melhor para todos. Tenho de querer apenas o melhor para mim. Resolver as minhas coisas, a minha Vida. Estou cansado de viver para fora, de entregar o meu suor e a minha Vida a quem não merece. O motivo para estar bem não pode ser pensar no que será dos outros, ou no quanto gosto de ajudar, de estar ou de amar quem desvaloriza, dia após dia, o meu próprio esforço. Não sou uma máquina embora pareça. Não sou inflexível. Sou feito de um material tão frágil quanto a minha pele de tantas cicatrizes. Estou exausto. Como nunca estive. Estou num momento delicado. Necessitado de férias e de um recomeço, sem pensar em mais nada. Se me exploram e abusam da minha boa vontade, inteligência e do facto de gostar, é algo que tenho de aprender a esquecer. As pessoas, sempre elas, são más por natureza. Quanto mais maltratadas, mais valor dão. Quanto mais idiotas forem os motivos, mais fortes são. Quanto mais virtuais os amigos, quanto mais independentes os amores, quanto mais frios os sentimentos, maior o efeito. Eu sou tudo menos isso. Sou real. De carne e osso. Sou dependente de afectos. Sou rico em emoções. Comovo-me com uma canção, tremo com uma recordação. Cedo ao gesto e ao afecto. Estou exausto por esticar a mão e querer ensinar a pescar quem apenas quer a mesa posta. Estou, como nunca estive, numa fase de enorme desorientação por ter, durante tempo demais, ter dado a luz do farol que me norteia a coisas, e pessoas, tão importantes para mim mas para quem eu não tinha qualquer importância. A Vida, infelizmente, tem de ser um livro de esquecimento. Tenho muito medo de um dia me tornar mais uma dessas pessoas do virtual, dos facebook, dos jogos on-line. O humano é tão mais interessante. Sò lamento que esteja sempre a bater contra um muro de betão. Cada vez me custa mais sarar. Não consigo estar bem comigo quando à minha volta só vejo disso. Estou exausto de remar contra um facto consumado. Preciso dormir… Preciso descansar e recomeçar. Não preciso de um motivo, porque não há. Estou exausto de procurar respostas, quando apenas me dão nada! Estou exausto… e desmotivado.  https://www.youtube.com/watch?v=W04p5T1nzIA

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