Ensaio sobre a fraqueza da democracia

As eleições europeias vieram demonstrar que a Democracia atravessa uma das maiores crises de sempre e encontra-se num ponto crítico em que é necessário repensar a forma como se lida com a população. A fuga de votos aos partidos tradicionais poderia ser visto como algo positivo, mas na verdade o fenómeno foi um pouco diferente e mais grave. Os votos sairam dos partidos tradicionais para movimentos extremistas. Ter neonazis eleitos e a extrema direita a ganhar muito terreno é um sinal de alarme que é preciso ouvir. As pessoas não enlouqueceram de repente, nem estão apenas a protestar. E se o estão a fazer, temos de acautelar que isso não evolui para um culto de personalidade ou identificação com ideais que deviam estar já esquecidos e ultrapassados. Numa altura em que o mundo se globaliza, os povos deveriam estar mais próximos. As pessoas mais razoáveis e as políticas mais perto… A desilusão geral com o estado das coisas, com a política e até com as pessoas que dão a cara pelos partidos, não pode ser canalizada para pensamentos radicais. As consequências, a médio ou longo prazo, podem ser devastadoras. O projecto europeu fica comprometido, e embora eu tenha dúvidas se ele merece ser posto em prática, penso que não é com radicalismo que vamos vá. Não deste género. Assistir à eleição de deputados de movimentos neonazis é algo que eu nunca pensei assistir. A memória colectiva é fraca e estas desatenções podem custar muito caro em termos económicos, mas acima de tudo em termos humanos. Eu não consigo deixar de imaginar que se um dia um destes movimentos conseguir uma figura carismática, autoritária e louca para os liderar, as coisas podem rapidamente fugir do controlo. Mas acima de tudo, este novo mapa político deve servir para que se reflita sobre o assunto mais importante: a Vida das pessoas. Estas eleições trazem uma forte carga de descontentamento generalizado. As pessoas não sentem que a Europa lhes sirva. A Europa não está a proteger, nem a ajudar ninguém. É assim uma espécie de convenção onde países ricos vão ensinar (por via da imposição), o que os países mais pobres devem fazer para serem como eles. Analisam muitos números, discutem muito a melhor maneira de enriquecer quem já está bem, e de empobrecer quem vive com pouco. Dito isto, e porque tudo demonstra que esta Democracia tem dado sinais de fraqueza, é preciso parar para pensar. A maior fraqueza de todas é que o exercício de poder corrompe. As lideranças são fracas porque são exercidas pela força. Não há debate, não há ponderação, não há solidariedade e verdadeira vontade de ajudar ou ser coeso. Há apenas o exercício da força. A Democracia não é um exercício de poder, é antes um debate intenso na procura de consensos. A Democracia tem de servir as pessoas e não o contrário. As pessoas não têm de servir os interesses de quem foi democraticamente eleito. Quem reune maior numero de votos está mandatado para, em nome do colectivo, discutir e implementar uma política que sirva o bem geral. A maior fraqueza da Democracia são os políticos. A falta de comprometimento. A incapacidade de pensar para lá do poder. A falta de diálogo e de compreensão. E como todos esses problemas estão cada vez mais enraizados na sociedade e têm tendência para piorar, vejo com muita preocupação os resultados das últimas eleições europeias. Talvez seja tempo de parar para pensar antes que um lunático qualquer se aproveite destes movimentos extremistas e leve tudo ainda mais ao extremo! A escalada de descontentamento, alimentada pelo espaço mediático que inevitavelmente esses movimentos têm, não vão trazer nada de positivo… A Democracia tem de dar uma resposta à altura do momento em que vivemos. Se não for capaz… terá um fim dramático. Espero estar (muito) errado! 

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