Ensaio sobre uma carta ao Pai Natal 2013

Querido Pai Natal:

Passou mais um ano e as esperanças renovaram-se. Mantive-me forte e fiel aos meus princípios, com os olhos postos no trabalho. Suei mais do que pensei. Ganhei mais do que estava à espera. Penso que estive à altura dos desafios e portei-me exemplarmente mesmo quando as situações quase me levaram ao extremo. Saber parar de falar também é uma virtude que tentei adquirir ao longo deste ano. Nem sempre consegui, mas esforcei-me e bem sei que tentar tem de ser valorizado. Ao contrário do que esperaria, a idade não tem me trazido paciência e condescendência. Pelo contrário. A cada dia que passa vou radicalizando o meu discurso sem cair no ridículo de tentar mostrar distância dos que estão perto, ou defender algo que não ponho em prática. A minha postura reflete o que penso. E vivo apenas preocupado com o bem geral sem me focar demasiado na minha própria situação que sei ainda ser de excepção. Vivo num país em decadência e mergulhado num nevoeiro muito denso. Todos sofrem uma austeridade provocada por poucos muito embora a culpa vá morrer solteira. Começo a minha lista de pedidos por aí. Gostaria que o Pai Natal me deixasse no sapatinho um martelo de madeira e uma base de madeira. Juntamente gostaria que me deixasse uma lista com o nome de todos esses incompetentes que arruinaram o País e com isso tornaram a vida de milhões de pessoas num inferno. Talvez assim eu pudesse brincar à justiça de um modo muito mais sério do que muitos juízes e procuradores… A culpa não deveria morrer solteira. A factura não deveria ser paga por quem não pediu ou usufruiu do serviço prestado. Peço-lhe assim que me ponha no sapatinho uma solução, um milagre, que nos salve deste pântano mal-cheiroso onde nos vão enterrando diariamente. É que sinceramente eu estou a ficar um pouco farto. E um Homem cansado e farto por vezes perde um pouco a razão e o discernimento. E eu não quero que isso me aconteça. Por tudo o que tem sido o meu percurso, não mereço deitar tudo a perder por pura interferência do alheio. Queria ainda que da chaminé descesse uma luz para o meu próprio futuro. Não me apetece emigrar quando vejo à minha volta tanta incompetência e gestão danosa. Gosto demais do meu País para simplesmente o abandonar. Gostava muito de contribuir, nem que seja levemente, para que as coisas mudem. Eu preciso deste ar, gosto do meu canto e do espaço que tenho conquistado. Gostava então que me pusesse no sapatinho um pouco de esperança no futuro. Vou tendo a nítida impressão de que me estão a empurrar pela janela. E eu mereço sair pela porta… Por fim gostaria de ter no sapatinho um pouco de sossego. Evitar a preocupação do futuro, o meu e das pessoas que me rodeiam. Penso que é tudo boa gente que se porta com dignidade e sem fingimento. Não peço nada específico, só uma boa dose de energia para que não desistam nem cedam à tentação de se vulgarizarem física e intelectualmente. De resto, aguardo este Natal com expectativa. Só quero o sorriso das crianças, o calor da madeira a arder e um livro no regaço. Fica a inspiração para que não se esqueça: http://www.youtube.com/watch?v=XQWAOMkNy_M

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