Ensaio sobre o rosto do combate à corrupção

Tenho uma dificuldade imensa em esquecer que a memória é algo de transcendente e devemos preservar. A perda de memória é até uma doença grave. No entanto, há que ter vista grossa e memória curta para ascender na pirâmide social e/ou profissional. Talvez seja por isso que ambiciono a muito pouco. É que a minha memória é enorme e gostaria de a preservar assim o máximo de tempo possível. Se um dia a perder será por uma doença qualquer me destruir e não por pretender fugir a um tema ou subir alguns degraus na consideração de alguém… Há poucos dias escrevi sobre o suposto futuro do jornalismo para dizer que não consigo pensar em futuro para algo que quase não existe no presente. Talvez por provocação ou por estranha coincidência, leio num jornal que o “rosto do combate à corrupção” deixa a Procuradoria Geral da República. É mais um daqueles títulos de jornais que fazem vista grossa ao passado, presente e futuro das notícias. Senão vejamos, a alusão ao facto de ser uma pessoa com a responsabilidade de investigar crimes relacionados com a corrupção não pode ser sinónimo directo de competência e profissionalismo. Mais ainda, no caso concreto é quase impossível aceitar que o “rosto do combate à corrupção” seja o de uma pessoa que afirma, e passo a citar o que ouvi uma palestra televisionada: “… não existe corrupção em Portugal”. Sendo assim, claro está que os objectivos propostos para o cargo que ocupou não foram atingidos porque um investigador sem convicção no que faz, é apenas uma marioneta nas mãos de alguém ou de alguma coisa. Não me admiro por os cargos do Estado estarem completamente minados e dominados por gente deste calibre que aceita fazer uma ponte num terreno onde sabe que as fundações não vão suportar o peso… O que me indigna e assusta ainda mais é haver este clima de impunidade e aplausos. Como é óbvio não há corrupção em Portugal… que chegue à barra dos tribunais. Será, porventura, pelo “rosto do combate à corrupção…” não acreditar na existência de tráfico de influências e abuso de poder por parte das pessoas que a nomearam? Será por inércia que os processos prescrevem ou ficam pelo caminho sem nunca se apurarem os verdadeiros factos? A resposta a estas perguntas é tão simples e ao mesmo tempo tão assustadora… Vivemos tempos difíceis onde a esperança morre todos os dias quando paramos um pouco para pensar no que está a ser feito às custas do suor digno de quem trabalha. Somos dominados pela mediocridade dos políticos, dos nomeados, dos magistrados, das mais altas patentes e até dos jornalistas em geral. Há muita gente a desprestigiar as classes profissionais a que pertencem. O brio profissional deixou de ser uma meta. Hoje vive-se muito depressa. Anseia-se por poder e por cargos de chefia mesmo quando isso significa ter mais responsabilidades e um maior Dever de fazer as coisas bem feitas. O que realmente importa para a maioria das pessoas é exercer poder. Mandar. Ganhar mais dinheiro. Fazer o que querem e sair impunes. Quem sabe se até com condecorações… São mais os casos de condecorações a gente que exerce poder em cargos públicos com acção criminosa do que prisões por corrupção! Resguardam-se na “causa pública” como se acreditassemos na estupidez que é alguém de responsabilidade na investigação dos crimes de corrupção em Portugal afirmar, sem dúvidas ou hesitações, que ela simplesmente não existe. É simples, numa argumentação popular e directa como eu gosto, demonstrar que essa pessoa só pode ser um charlatão ou um idiota: se não existe corrupção em Portugal, então para que serviu o cargo dessa pessoa? Para que servem os tachos e esses investigadores? É para haver uma acção preventiva ou para assustar? Andou na História da Humanidade um senhor de bigodinho pequenino debaixo do lábio com essa conversa… e veja-se no que deu…

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