Ensaio sobre a teia

Os dias têm passado a uma velocidade enorme. Tudo se tem alinhado para este ser um bom ano. De muito trabalho, como convém, mas um bom ano. Nada se consegue sem esforço, trabalho, dedicação e até um pouco de sofrimento para aprender a valorizar o que é realmente importante. A urgência de ser feliz e estar bem não é acompanhada pelo Tempo que demora merecer e aceitar que temos dentro de nós o que é preciso. Não existe um manual de sobrevivência ou de busca pela felicidade. Isso não se ensina nem se aprende. É preciso estar sempre atento aos pormenores e ter as portas entreabertas para a sorte entrar. As frestas das janelas por onde escapa o calor podem ser a entrada de coisas extraordinariamente positivas. A estrelinha que comanda a alegria esfuziante entra por qualquer buraco. Entra por qualquer poro da pele quando temos a pele macia e disponível… A bondade quase não existe mas a fé e a confiança numa vida melhor, deve permanecer inabalável. Por piores que sejam os momentos, é preciso ter sempre a esperança de que a Vida leva mas dá em duplicado se tudo fizermos para que isso aconteça. Não me importo que digam que trabalho demais ou que dou demais. Gosto que o meu rosto envelheça pelo cansaço de fazer o que é certo. Esse é o cansaço que quero ter. Esse é o envelhecimento que escolhi para não ter de lamentar a mudança que o corpo sente, os olhos sentem, a alma sente. Não tenho ressentimentos. Nem pelo que fiz, nem pelo que posso vir a fazer. Mais que prazer, quero a felicidade dos momentos todos… Na adolescência passei um momento muito baixo na minha vida e amadureci de um dia para o outro. Passei a encarar as adversidades como catalizadoras da felicidade. Os momentos baixos tornam a viagem de subida uma rampa. As imagens passam a uma velocidade vertiginosa e o tempo a voar. Não há barreiras intransponíveis para os que não esperam nada mais da Vida senão o que merecem. E trabalham para merecer. “Ninguém tem nada de bom sem sofrer” já dizia o poeta. E se isso é verdade, já tive a minha quota parte de sofrimento e mesmo quando tento fazer as coisas certas, às vezes a coisa corre mal porque a estrelinha da sorte não chega ou a janela bate com o vento. Fico incrédulo com algumas coisas que me acontecem mas se há coisa que tenho aprendido é que o Mundo não gira à minha volta ou dos meus problemas. Há pessoas que vivem em condições muito piores. Há mesmo quem se esqueça de viver e aceitar tudo o que a Vida traz sem pôr condições. As minhas condições são sempre as mesmas: estar bem. Se estou bem, estou feliz. Com mais dinheiro ou menos dinheiro, com mais trabalho ou menos trabalho! Faz parte desta minha natureza inconformável procurar melhor mas tenho sempre bem presente de que cada passo é em frente. Talvez de vez em quando dê um passo para o lado mudando um pouco de rumo. E se recuar, levemente, é para apanhar balanço e correr. Sempre achei que ia morrer cedo, confirmando a previsão da cigana que há anos me prometeu uma morte em idade jovem. Mas que idade é essa? Para mim o Manoel de Oliveira é um jovem cineasta em busca da perfeição que jamais vai encontrar. Preciso então de manter-me jovem. Eternamente descontente mas confiante de que a minha vida é um sonho do qual eu não quero acordar. É uma só promessa que me fiz e vou cumprir: darei o meu melhor e vou trabalhar tanto quanto possível para Viver feliz. Stressado, cansado, irritado e até magoado e desanimado, por vezes. Mas sempre com um sorriso de criança que não se vai desfazer nunca. A teia que segura a minha vida, é muito mais que a representação física de fibras ou o ar que a sustenta. As ligações são mais profundas e têm conexão directa ao coração… 

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