Ensaio sobre o Porquê…

Estou confiante de que este será um bom ano. Os primeiros dias têm sido de trabalho alucinante mas apesar de tudo as pequenas conquistas fazem antever um ano seguro. No entanto gostaria de dizer o mesmo relativamente ao país. Infelizmente acho que mais um ano difícil se iniciou para os portugueses. E a mensagem de esperança que tanto pedi ao Pai Natal não veio. Temos um pouco de tudo. Mas das coisas mais incríveis a que tenho assistido, são os sorrisos despreocupados dos políticos quando apresentam ou discutem novas medidas de austeridade ou relatórios que aconselham despedimentos selvagens e (ainda) mais cortes salariais. É este desprendimento da realidade que me deixa extremamente preocupado e até desconfiado de que a coisa é capaz de continuar a correr pelo pior. Tenho pena que esta tão famosa crise não sirva para pôr fim aos vícios e abusos que são praticados pelo chamado “sistema político”. Um destes dias assisti a uma entrevista de José Saramago que explica que a grande questão deveria ser “Porquê?”. Nem é tanto o “como?” ou “Quem?”. O que realmente interessa saber é porque temos pessoas tão mal formadas humanamente que deixam que se criem quotas de leite, desperdiçando assim milhares de litros desse bem tão precioso, enquanto há milhões de pessoas no mundo a passar fome. Porque se permitem habitações de luxo em condomínios fechados enquanto nas ruas impera a pobreza extrema? Eu sei como elas são feitas e até por quem. Sabemos que o dinheiro compra tudo e as pessoas vivem de tal modo focadas nas suas vidas e nas suas próprias ambições que se esquecem de tudo o que as rodeia. Também sei à custa de quem se constroem esses condomínios. O que ainda ninguém conseguiu explicar-me é a passividade com que as pessoas aceitam esse facto. A desigualdade social é aceite nas ruas e a resignação impera. A lavagem cerebral e a casmurrice pseudo-intelectual de se focar em teorias caídas em desuso e tão velhas quanto o velho do restelo, são o mau presságio do futuro. As ideias novas vêm das grandes questões. E nos nossos dias, como dizia afincadamente Saramago, trata-se de saber porquê… Eu sei quem são, onde estão, o que pretendiam mas porque são tão aceites este factos? Sinto-me muitas vezes só quando, por exemplo, numa reunião de doutorados exijo liberdade de expressão ou debate sobre o tratamento preferencial ou a ausência de exigência. Sinto-me extremamente só quando numa sala com mais de 40 pseudo intelectuais doutorados sou obrigado a intervir chamando a atenção para coisas que são vistas como banais: a fraude, o silenciamento, o abuso do poder, a incoerência… Não procuro apoio à minha volta mas também me pergunto muitas vezes: porquê? Porque será que estas pessoas se remetem ao silêncio e procuram a calma quando tudo à nossa volta nos devia remeter para a loucura? Porque será preciso destruir a vida de milhares para preencher a vida de um só? E no final do dia, quando a noite cai e a solidão se instala no calor do quarto, eu adormeço muitas vezes a perguntar: porque sofrem tantos para que se compre a felicidade de um só? Eu não sou exemplo porque apesar de tudo, desta busca incessante de paz que nunca conseguirei, deito-me feliz por estar muito melhor do que algum dia imaginei, mas com dúvidas de que poderei estar a fazer alguma coisa de mal… A minha vida tem sido uma benção que espero usar sempre a favor da justiça. Nivelei muito por baixo o meu futuro. Gostaria apenas de encontrar respostas a questões que me atormetam e perseguem. Um dia gostaria de escrever uma entrada neste blog sobre o Porquê de esta sociedade ser tão permissiva… mas desconfio que nem terei talento, nem capacidade para entender, nunca!

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