Ensaio sobre o holofote

Regressei ao trabalho em grande ritmo. Está a aproximar-se o Natal e há muita coisa para resolver antes de poder tirar uns dias para estar á lareira a ler. O meu pensamento já só está concentrado nisso. O resto é contar os dias, comprar as prendas e esperar que este seja um Natal melhor que o anterior. Não em prendas porque quero pouco e a minha carta ao Pai Natal, que será escrita nos próximos dias, vai refletir bem o meu estado de espírito… O mais importante é regressar com força ao ritmo que não pode ser abandonado. Há muita coisa a fazer e a preparar e este não é o momento de descanso. Ele chegará em breve. Talvez consiga tirar uns dias na próxima semana para ficar por casa. Há menos interrupções e rende mais mas infelizmente não o posso fazer muitos dias embora tenha cada vez menos paciência para aturar algumas pessoas. Há um problema qualquer de comunicação entre mim e a esmagadora maioria das pessoas que se cruzam na minha vida. Confundem sempre a minha frontalidade e sinceridade com arrogância. Há um certo receio no ar de que as pessoas sejam francas e digam tudo o pensam. Para o bem e para o mal eu não faço dos meus pensamentos ou das minhas atitudes o meu grande segredo. Pelo contrário. A minha postura reflete o que penso da maneira mais crua e dura. Pelo menos eu sinto-me assim. Transparente. Eu não tenho segredos. Só tenho pequenos mistérios e uma intimidade preservada a todo o custo. De resto, o que não for da minha intimidade, sou Eu. Inteiro. Não falo mal de ninguém nem uso a maldade como arma de arremesso. Dou uma opinião que vale como uma visão individual, simples e directa. Não circulo entre faixas opostas da mesma estrada para chegar ao meu destino. O caminho que traço, entre o ponto de partida e o ponto de chegada, tenta ser o mais curto possível. Sem palavras caras porque a minha opinião não tem preço. É uma oferta que não me importo de dar quando pedida, ou necessária. Há momentos que é inevitável deixar claro o que pensamos para que mais tarde não nos possam acusar de estar resignados. Eu sou indigno apenas no sentido de sentir a indignação como um prolongamento de mim mesmo. Não aceito de braços abertos tudo o que se passa e o que me dão. Eu quero mesmo é merecer e levar à risca o provérbio: cada um tem o que merece. E o merecimento é algo que me atrofia o pensamento. Eu sou esforçado porque ainda tenho a visão romântica de que o fruto do trabalho é a divindade que me conduzirá à salvação. Na vida profissional e na vida pessoal. E é esse esforço que me dá alguma confiança para dizer o que penso. Sim, eu penso. Mas não calculo. Penso com a ingenuidade das crianças e o raciocínio de quem viveu e aprendeu. Na vida e nos livros. Penso com rapidez e sem preocupações sobre o impacto das palavras ou as consequências. Eu jamais penalizaria alguém por dar a sua opinião a menos que percebesse que a pessoa em causa pudesse trazer desgraças ao mundo, tipo Merkel. De resto, opiniões são meros pontos de vista que podem ser seguidos ou não. Que podem ser ouvidos ou desprezados. Há um certo medo de dar e ouvir opiniões. Medo por se notar que existe quem tenha qualidades verdadeiras, e existem esponjas que se aproveitam do que os outros dizem, escrevem e mostram. Mas a vida é mesmo um palco. Há quem busque os holofotes e há quem, no escuro da sala, mantenha o espectáculo em cena. Resta saber que tipo de pessoa queremos ser. A estrela da companhia que procura a luz ou a pessoa que controla o holofote…

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