Ensaio sobre pegar fogo ao invés de arder

Quando estou uns dias sem escrever, custa-me muito recomeçar. Fico bloqueado e até parece que não existem temas suficientemente interessantes para que possa dizer algo sobre eles. É por isso que tento não deixar as ideias se fixarem antes de escrever. Perde-se muita informação. Perdem-se muitos argumentos. Perde-se até a razão, se for preciso. O melhor do mundo é ter opinião muito antes de colocar tudo em perspectiva e no campo pessoal. Assim evitamos a vergonha de ver a nossa imagem reflectida no oposto do que dizemos defender! Politicamente é um erro ter opinião intuitiva sem pesar vantagens e desvantagens. Mas como sempre disse: que se lixem as politiquices. E se tiver de arder, que pegue fogo ao invés de arder lentamente e doer de mansinho por anos e anos na consciência. É essa minha vontade de estar fisica e mentalmente bem que me leva, por vezes, a ser duro. Muito duro. Tenho até traços de alguma crueldade quando digo: “fulano merece” ou “fulana pôs-se a jeito”. Não acredito nem um pouco em futurologia, mas há coisas que estão escritas muito antes de acontecidas. Coisas essas que não precisam ser ditas porque há muito estão no roteiro das nossas vidas. Ás vezes as pessoas mudam. Mas raramente para melhor. E isso é algo que lamento constatar mas é a pura realidade. Há uma espécie de vírus social. Epidemia do prazer, do poder e do dinheiro que se espalha pelas ruas e pelo ar. Há muito que deixou de existir apenas nos becos escuros e nas ruas sem destaque nos mapas das nossas vidas. Hoje tudo se faz ás claras porque quase todos entram no grande jogo do impróprio para alguns, melhor para mim. Não há mais sociedades secretas ou gabinetes à prova de som e de denúncias. Mas pouco importa, pouco nos importamos com as coisas que se fazem em nome de Deus, da Pátria ou da Sociedade e que na realidade são feitas em nome do Demónio, da pátria de alguns e em nome próprio. Os escudos onde se escondem, por mais finos que sejam, não são mais furados porque o problema vai para lá da pele, da carne e do sangue. O problema é mental. É um certo atraso que lhes permite ir mais longe. Como um bónus pela deficiência de ter um pensamento lento ou de não pensarem. De todo. E as suas acções não são espontâneas, são o fruto de muitos cálculos. Todos de somar para si, todos de subtrair para os outros. E assim se vão arrastando nos dias. Deixam obra feita. Talvez fiquem eternizados pela comunicação social, pelos livros, pela história do imediato e do sempre. Talvez lhes traga glórias muito para além da morte e da despedida mas a grande questão é: como foi a sua vida? Ando cheio de trabalho e vou ter de me esforçar por manter o hábito de escrever porque sempre detestei parar. Estar uns dias sem ler, sem escrever, sem estudar, sem trabalhar, custa-me muito mais do que parece. O reinício é de tal modo complicado que mesmo de férias sempre procuro fazer todas essas coisas pelo menos de 2 em 2 ou de 3 em 3 dias. Não pode haver urgência maior que manter o ritmo. Pelo menos um ritmo mínimo que nos permita lembrar que há tanto pra fazer, há tanto para mudar que estar em fase de pré-aquecimento quase diário só pode ser um obstáculo. Assim, procuro manter-me a um ritmo elevado. Um ritmo que me permita chegar ao fim do dia com a certeza de que aos poucos vou mantendo o meu trabalho em dia, o meu lazer na primeira linha e um grande prazer pelos meus dias. Mesmo quando as reuniões se arrastam durante horas, se prolongam por fins de semanas e estou 5 dias sem escrever neste blog… Há muita vida a acontecer. Há muita coisa interessante para comentar, mas estes dias sem escrever condenam-me à lembrança de que sem talento, só nos resta muito trabalho…

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