Ensaio sobre lealdade

Um dos assuntos na ordem dos últimos dias foi o prefácio do Cavaco Silva onde deixa claro que existiu uma enorme falta de lealdade institucional por parte do anterior governo. Antes de me dedicar a falar do futuro doutorado, filósofo, gestor ou raio que o parta, convém começar pelo princípio: para que serve um Presidente da República? Há muito que esta democracia, o menos mau dos sistemas políticos, pede uma renovação na organização do próprio sistema. Há gente a mais, há eleições a menos, há cargos a mais, há até figuras institucionais que fazem o mesmo que o garfield. Leia-se: nada. Será este o caso da mais alta figura do estado? É que começando por aí, e a ser verdade como parece mais que certo, o que é narrado no prefácio, a minha dúvida mantém-se intacta: não havendo lealdade, como é que podem co-existir governo e Presidente? Como conseguiu o Presidente ver-se pisado, desautorizado, ignorado e até manipulado, sem tomar uma acção? Bem sei que politicamente foi o melhor a fazer pois o governo caiu pouco depois. Se o Presidente os tivesse demitido provavelmente, este país que não é para velhos mas sim para mentirosos, ia ter pena e dar-lhes uma segunda maioria absoluta ou coisa parecida. Mas os cálculos políticos não podem ser feitos quando se fala em lealdade. O Sr. Presidente não foi leal para com os portugueses que votaram nele e lhe asseguraram o lugar  mais alto da nossa hierarquia democrática. E o exemplo vem de cima. Espera-se que o jogo político não influencie os valores, e por mais que possamos ignorar este caso, o acusador não sai muito bonito na fotografia… Quanto ao anterior governo, a falta de lealdade institucional é uma novidade tão grande quanto a identificação do maior problema do nosso país: a corrupção. Por mais que os socialistas queiram negar, manipular, escrever e gritar, devem ter em conta que há uma pergunta simples e directa, completamente ignorada pelo Sr. Silva Pereira: afinal avisaram ou não o Sr. Presidente da República? Deixem-se de contextos, histórias e enredos. A pergunta é simples e é de “sim” ou “não”. Tão clara como o ovo. Tão redonda como a Terra. Se avisaram, e entenda-se avisaram como uma reunião, um telefone ou uma videochamada, então o Sr. Presidente mente. Se decidiram fazer um comunicado sobre o PEC IV e apresentá-lo em Bruxelas sem o conhecimento da mais alta figura do estado democrático, tenham lá paciência e assumam de uma vez por todas que governaram como quem está em sua casa. Pois bem, tenho uma lição a dar a todos estes políticos que tratam a governação como se estivessem na sua própria casa: o país não é vosso. Vocês são convidados pelo povo a gerir, em seu nome, os destinos de um país que um dia já foi uma super potência. Não são Reis absolutistas, nem donos de verdades únicas! O país está delapidado, despido e endividado graças a esta gerência apostada em créditos e negócios duvidosos. Graças à corrupção generalizada e á deslealdade. Deslealdade. Muita. As àguas que circundam a política dão muito pantanosas e poucos têm a humildade e capacidade para assumir os seus erros. O problema começa aí: ninguém tem erros. Ninguém falha. Ninguém se deixa corromper pelos euros em sacos azuis, pelos dinheiros de grupos económicos que pagam ex-políticos a peso de ouro… E tudo fica pelo superficial. Sejam as licenciaturas compradas, os actos de deslealdade, os negócios ruinosos, os ex-ministros e secretários de estado que passam a gestores milionarios, sejam as ex-figuras chave do nosso sistema que à custa não se sabe de que rendimentos, vão exilar-se num país estrangeiro a fazer doutoramentos em escola pagas a preço de ouro, em cidades caras… Este é o país que temos, e esta é a lealdade dos nossos políticos.

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