Ensaio sobre pequenos ditadores

Dia de cão. Horrível. Nada correu certo. Mas se nada corre como devia, não há outro responsável senão eu. Amanhã o sol nasce e um novo dia se ergue. A única solução para os dias maus, é esperar que passem. Não há dias iguais, nem problemas que se repitam. A história nunca se repete quando vista em particular. Talvez no geral tudo pareça igual, mas visto de perto, tudo é diferente. É assim como ver o PSD e o PS a alternarem o poder. Parece a mesma coisa, mas não é. Se ambos nomeiam quem querem assim que sentem o poder, no particular temos a nomeação previsível de gente laranja em governos PSD e gente rosa no governo PS. E isso leva-me já a uma queixa previsível: Vasco Graça Moura. Se como escritor não me agrada muito, como recém nomeado desagrada-me! E o motivo é óbvio: a primeira coisa que fez quando se sentiu com poder foi aplicar como directiva uma opinião! A não aplicação do acordo ortográfico é, a meu ver, uma ideia alucinada digna de uma república das bananas. Que ele seja, tal como eu, contra o acordo ortográfico é uma coisa. Mas aplicar a sua opinião no CCB é um absurdo. Se não quer aplicá-lo, pode fazê-lo em pleno exercício de liberdade, mesmo sendo presidente do CCB. O que me cai como algo difícil de engolir, é a maneira leviana como se tratam as instituições públicas. Que fique claro: eu sou contra o acordo ortográfico! Posso e devo escrever sobre isso no meu blog, dizê-lo em todo o lado e aplicá-lo no pleno exercício da minha liberdade em qualquer documento que precise escrever, sem me importar com o que possam dizer. Nem com o facto de poder ser rotulado de um cábula que dá muitos erros. Mas Vasco Graça Moura, ao mandar retirar dos computadores da fundação CCB o corrector ortográfico, foi longe demais. Ultrapassou a linha que separa a realidade da alucinação. O novo acordo ortográfico é uma realidade e o combate deve ser feito com inteligência e paz. Não com guerra. Todo o tipo de guerras me agoniam. É sinal de burrice e incapacidade argumentativa. Assim, Vasco Graça Moura mostrou uma vez mais que não serve para debater ideias. Ao invés de se preocupar em mostrar o absurdo do acordo, impõe a força do poder que NÃO É DELE. O CCB não é a loja lá de casa, nem a empresa familiar. Trata-se de uma Fundação gerida por alguém nomeado pelo Estado Português. Ou seja, é de todos os portugueses. Ele não é um presidente-dono mas antes um zelador. E custa-me entender como é que alguém aceita que este senhor trate o CCB como algo seu onde pode impôr a sua opinião e a sua vontade. Um dia destes dizia a um amigo que já temos fado (em cada esquina nasce uma nova voz…), já temos muito futebol feliz (o benfica lá se vai portando bem…), Fátima é aquilo que se sabe com novas instalações. Falta-nos um Ditador. Mas vistas bem as coisas, cheira a ditaduras. Sim. Plural. Ao invés de um Salazar, vamos tendo estes pequenos aprendizes de ditadores que vão impondo o que querem nas instituições públicas sem se preocuparem minimamente em respeitar os Portugueses. Estes pequenos ditadores nascem em cada esquina. E são os novos ditadores. Os que sentindo o poder nas mãos não têm qualquer pudor nem espírito de missão pública! O que vai sendo público e notório é que ninguém controla estes alucinados dos tempos modernos. Qualquer dia temos no facebook um movimento a nascer. Desta vez a pedir a queda do acordo ortográfico. Quem o começa, e porquê não interessa… Talvez seja apenas mais um pequeno ditador que queira usar as redes sociais para conseguir o que quer! Mas isso é outra conversa, e hoje não estou para mais divagações…

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