Ensaio sobre uma ideia de Europa

Ando agitado pelo imenso trabalho. Nervoso e bastante rabugento. Não é que as coisas corram mal, pelo contrário mas estou… impaciente. É como estar sob um constante pressentimento de que algo de muito mau está para acontecer. Chego a casa cansado e ligo-me sempre às notícias. A maior do dia de hoje é a cimeira europeia. É mais uma daquelas notícias que não interessa porque na realidade nunca houve um verdadeiro projecto europeu e de nada adianta reunirem-se engravatados a fingir discutir o que quer que seja porque na realidade uma discussão útil só se faz quando: 1) as pessoas não se sentem pessoalmente atacadas ou lesadas mesmo quando a consciência delas se dói; 2) as pessoas têm uma ideia coerente e forte para discutir. O que actualmente acontece com este pseudo projecto europeu é que na realidade ele nunca se concretizou. É como aqueles projectos científicos financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e outras instituições estatais que nunca são concretizados. Tudo gente séria, honesta e exemplar. Pena que as ideias nunca saem do papel e o dinheiro é gasto em portáteis, viagens desnecessárias e… enfim, coisas piores que nem me apetece enumerar. Voltando à Europa, o que temos é uma Chanceler Alemã a gritar: viva a Europa ou sem a Europa não vamos a lado nenhum. E depois a mesma senhora acha que a Europa é a Alemanha. Alguém me explica, por 2 mais 2 porque há coisas em que eu pareço um bébé, como é que se pode fazer uma cimeira onde se decida alguma coisa com chefes de governos que defendem uma Europa unida e depois só pensam no melhor para o seu país? Mas é possível construir um grande projecto em cima de não-ideias? A resposta a ambas as perguntas é simples. Tão simples que até me envergonho por ter de escrever sobre o óbvio. Eu não posso discutir política com alguém que não tem a mais pálida ideia do que defende. É por essas e por outras que tentar discutir uma ideia com alguém que não tem ideia de nada, é uma perda de tempo. Eu posso discordar de alguém. Exaltar-me e agarrar-me com unhas e dentes ao que defendo mas ao fim do dia, a divergência pode levar a um caminho ou a uma nova ideia. A vida fortifica-se. Já a discussão com alguém que não sabe o que diz e nem onde quer chegar, é uma enorme frustação. Aceito que existam 2 grandes pólos de ideias sobre a Europa: 1) os que acham que a Europa devia ter uma moeda única, uma política única e federal, um governo central com governadores espalhados pelos países; 2) os que olham com desconfiança para uma Europa unida e focalizada no sucesso colectivo e preferem a autonomia total de cada país e não aceitam um projecto europeu. Tudo o resto são variações mais ou menos dúbias do que pode ser a Europa. Cheira-me que são ilusões e, tal como a utopia, deviam ser banidas por causarem mais problemas do que conduzirem a soluções. Mas sendo este o meu blog, e tendo eu uma ideia clara do que pode ser a Europa e em que ponto está Portugal, reservo-me o direito de o expôr. A Europa pode existir como um pseudo-projecto (ou seja como está e se encaminha para permanecer) para os países realmente desenvolvidos e com uma situação económica muito estável. Todos em igualdade de política social e mentalidade. Assim, tirando a Alemanha, os países baixos (sempre tão discretos) e os nórdicos são fortes candidatos para medir forças e decidirem entre si políticas conjuntas que beneficiem todos. Quanto a países como a Espanha, Portugal e mesmo a Itália, não devem meter-se em apuros. Estão muito mais próximos das suas ex-colónias do que da Europa. E disso não tenho dúvidas. Portugal devia ter relações económicas e políticas privilegiadas com a América do Sul e Àfrica. Estamos muito mais próximos deles do que da Europa nos moldes que está construída. Os países ex-URSS deviam agrupar-se entre si e prosperar juntos enquanto todos estão em pé de igualdade. A Turquia e macedónia (ainda ignoradas pela União), a Grécia, Chipre e Malta têm também todo o interesse em unir-se política, geográfica e economicamente. E assim poderíamos, calmamente consoante o que é melhor para todos construir uma Europa mais unida sem a pressão destes nórdicos e Alemães que, por mais que admire algumas coisas no seu progresso e gestão, sou obrigado a admitir que apenas pensam no que é melhor para si e para os seus. Não compreendo essa atitude. Se querem uma Europa, trabalhem para isso. Se vão ficar neste faz de conta, então assumam de uma vez os canalhas sem escrúpulos que são! Talvez amanhã desenvolva esta ideia mas já vai longo o texto, e ainda não acabou a cimeira. Essa mesma que deve trazer mais do mesmo: nada!

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