Ensaio sobre os elos

Ontem, enquanto falava com uma amiga, senti que provavelmente tenho um aparente desprendimento das pessoas. Na minha vida só eu sou imprescindível. Não posso jurar um amor eterno ou uma amizade inquebrável. Os elos, por mais fortes que sejam, têm sempre um ponto fraco. Seja o desgaste, seja o toque imperceptível que vai engrandecendo na distracção sincera do dia-a-dia ou a simples percepção de que o elo é de vidro e quebrou-se. Há pessoas que passam na nossa vida e deixam marcas profundas mas as cicatrizes não têm de ser feridas abertas que empodrecem a nossa existência. É preciso fazer uma limpeza de quando em quando. Essa mesma que nos leva a desistir de amor, de amigos e até de familiares. A maldade impera sobre todos os reinos e, enquanto falava com outra amiga, cheguei à conclusão de que pessoas más atraem coisas más para a vida de quem as suporta. Já escrevi muito sobre a maldade, a inveja e a manipulação. A mentira. O conto que não sei mais contar… No amor, é a mesma coisa. Não acho possível que duas pessoas se amem de verdade e permaneçam amigos. Não é possível. É simplesmente indigno e como não sou um Senhor Indigno, todos os amores e histórias que me fizeram sentir de verdade, foram resolvidas na crueldade de um despreendimento que não é mais do que uma constante busca pela harmonia. Ninguém tem harmonia dentro de si enquanto fica no ar um cheiro a mofo… São essas pequenas coisas que transformam seres comuns em gente especial. Eu valorizo gente selectiva. Gente que não tolera a mentira gratuita nem a vidinha indigna que nos obrigam a viver. As pessoas deviam exigir na sua morada, na sua vida, na sua porta apenas a bondade e a verdade. Tudo o resto não devia nem chegar perto sob a pena de se quebrarem elos. Gente má traz coisas más. Definitivamente. A maldade e a mentira riem da inoperância. Colocam um nariz redondo e vermelho na cara maquiada de quem vive descuidado no corpo e na alma. É preciso força. Uma ética moral que nos obrigue a chorar um dia para que não nos possa moer a Vida. A vida inteira. A compensação de uma limpeza é apenas ficar limpo. Sem nada que possa turvar a minha vista ou um manto sujo que possa cobrir o meu corpo. Há muito que decidi viver assim. Limpo, sem preocupação, as pessoas que não servem para ficar por perto da minha vida saem dela tão rapidamente quanto possível. Tenho sempre muito medo que me confundam com histórias e mentiras. Que o reflexo de gente má possa turvar a minha própria imagem. Mas o pior de tudo é a estranha dependência que algumas pessoas criam. Sabem que têm por perto gente má mas recusam a limpar o corpo e a alma… Já fui assim quando a minha auto-estima dependia dos outros. Hoje não sou mais. Faço da limpeza a minha bandeira e a ética moral mora tão perto quanto possível. Não sou moralista, pelo contrário. Já vivi e vi de tudo. Pouco condeno do comportamento humano transparente, curto e directo. Já dormi em casas que nunca mais visitei. Já dancei pela madrugada ao sabor de substâncias impróprias. Fiz tudo e de tudo me cansei sem prejudicar ninguém… Já perdoei muitas mentiras mas com o passar do tempo fui radicalizando o discurso e a postura. Não é que me sinta mais seguro. É só porque me sinto mais inconformado com a inoperância. A felicidade dá muito trabalho. Criar um elo forte dá muito trabalho e hoje as pessoas não estão para isso. Há uma urgência na criação de elos fast-food. Comemos e engordamos. O aspecto exterior muda, e lá dentro tudo fica com mau aspecto… O segredo de um elo verdadeiro é o trabalho. Faça a sua parte, e digne-se a trabalhar para ser feliz!!

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