Ensaio sobre sindicatos

Acho que os sindicatos são cruciais na construcção de um país civilizado mas como o mundo não é perfeito, também podem ter as suas desvantagens. A maior delas, comum aos portugueses que representam, é serem demasiado ambiciosos. É como sonhar perigosamente e embora não possam ser condenados por quererem o melhor para a sua classe, devemos sempre lembrar de que as pequenas vitórias devem ser tão festejadas quanto as grandes conquistas. É bom por vários motivos e motiva os Homens… Os sindicatos tendem a ver o copo sempre vazio, o que é muito próprio dos portugueses! Qualquer que seja a medida do patrão para melhorar, ainda que levemente, a condição dos trabalhadores é sempre motivo de mais umas quantas críticas. Hoje estou especialmente duro com os sindicatos porque não tenho gostado muito da maneira como estão a procurar defender os seus associados. Devem protestar. Exigir melhores condições salariais e de vida para os trabalhadores. Nessa luta eu participo. Agora o que não podem é fazer de boas medidas um bode espiatório para patrões. Veja-se o que aconteceu nos últimos dias com a Jerónimo Martins. Os sindicatos não mentem: paga mal e porcamente aos seus trabalhadores. O ordenado médio é de 540 euros e muitos dos seus trabalhadores são part-times de noites e fins de semana. Usam e abusam da lei para manter empregos mal remunerados. Concordo com tudo isso. As minhas mãos serão sempre solidárias com esses trabalhadores que exigem melhores salários e prémios compatíveis com a actividade profissional. Devem poder sentir-se realizados profissionalmente e todas as condições para isso devem ser criadas. Mas vejamos: quem tem culpa de tal situação? É o patrão, que cumprindo todas as regras paga o que está tabelado, ou quem criou essas mesmas regras? Podemos sempre exigir dos patrões um compromisso social. É óbvio que eles podem pagar mais e melhor. Mas se cumprem a lei, não há dúvida que o problema é político. Acima de tudo é um problema político que pode até ser gerido nos batidores por essas grandes empresas. Havendo vontade política, tudo se muda… Mas voltando aos sindicatos, o que não suporto em algum deste corporativismo radical é a tentativa de denegrir até as boas ideias mesmo quando elas são um sinal claro de que alguns patrões também pensam nos seus trabalhadores. Pode ser pouco mas pouco é melhor que nada. E recordo: podiam não fazer nada! Hoje apeteceu-me escrever um pouco sobre a atitude menos ética de alguns sindicatos porque ando atento às novas medidas anti-austeridade da Jerónimo Martins. Pelos vistos alguns trabalhadores com mulher desempregada e filhos vão poder usufruir de um a espécie de empréstimo sem juros a ser pago nos próximos anos. Eu nesta medida, ao contrário do radicalismo puro, vejo coisas positivas. Começo por congratular-me por ver que esses trabalhadores não serão despedidos nos 5 anos seguintes pois não prevejo que o patrão queira ficar sem a recuperação do dinheiro. Depois parece-me que há famílias que, no início do ano lectivo, precisam mesmo de uma ajuda extra. O crédito bancário é muitíssimo mais perigoso para resolver esses problemas. Por fim parece-me que um patrão aparentemente preocupado com medidas leves, é bem melhor que um patrão completamente alheado. Assim, ao invés de vir criticar gratuitamente a Jerónimo Martins por ser uma grande empresa, com muitos lucros e que paga mal, prefiro dizer que é de facto muito pouco mas é grão a grão que enche a galinha o papo. Ao invés de vir dizer que eles pagam mal (que novidade… eles e quase todas as empresas a operar em Portugal), prefiro congratular-me com uma medida que pode permitir aos trabalhadores escapar às mãos do crédito ao consumo (muito mais perigoso e danoso). Esta mania dos sindicatos de não aplaudir e aproveitar todas as situações para radicalizar o discurso, é maçador. Não peço para aplaudir mas não digam sempre as mesmas coisas. Bem sabem que os ordenados não vão subir porque as empresas querem. Eles só subirão quando a política exige. É engraçado ver sindicatos sempre a protestar contra os patrões mas um deles, o segundo maior, anda de mãos dadas com um partido que esteve 12 anos no poder, nos últimos 14. E em alguns desses anos os governos foram de maioria…

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