Ensaio sobre ginásios

Um dia destes encontrei um antigo colega de turma de liceu que já não via há anos. Não o encontrei fisicamente. Reentrei no messenger e por mero acaso aconteceu uma conversa. Eu que não ia ao messenger há meses… É assim a vida. Precisamos de facebook e messenger para reencontrar as pessoas. Talvez seja por isso que deixei de o usar e me recuso, por enquanto, a ter facebook. Não me apetece ter de fingir amizades. Fingir que me importo se encontro ou se sou encontrado. Parece cruel, mas não é… No fim deste ensaio talvez seja mais claro o meu ponto de vista. Mas vejamos. Reencontrei alguém que não vejo pessoalmente há anos. Fiquei a saber que agora frequenta o ginásio e por isso tem o fim de tarde limitado ao culto do corpo. Nada de extraordinário, diria eu. Mas ao que parece ir ao ginásio é um pouco mais que isso. Fiquei com a nítida ideia de que nos dias que correm os ginásios são o local de engate mais fácil. Mesmo na capital, onde ele mora… Não importa o estado civil ou estado de conservação. Conversa também não é precisa. Vamos ao que importa: corpo relaxado mente sã. Pena é que se degrade a intimidade e se vulgarize o corpo às mãos de uma vontade que não se contém. Gente é carne. Mas não só. Gente é um pouco mais que umas tetas, um orifício ou uma protuberância musculosa… Os caça-engates não se restringem aos facebooks da vida e aos sites especializados. Nem no ginásio, um local de culto da saúde, passa despercebido ao olhar atento de quem se esforça por mostrar que a vida é sexo. A vida é prazer carnal de 5, 10, 15, 20 minutos e pouco mais. Talvez seja a vida deles pouco mais que isso mas a mim cansa-me esta coisa de se vulgarizar e minimizar o que é um furúnculo incurável e a prova mais que certa de que tudo está errado. As prioridades absolutas inverteram-se. Não sou inocente ao ponto de achar que engates não ocorrem em todo o lado ou suficientemente tonto para não acreditar que os ginásios são um ponto óbvio de sexo casual. Um local onde acontece de tudo… Tenho pena é que da carne se faça um humano e não o contrário. Temos vacas prontas para o abate. Verdadeiros touros de cobrição ou apenas bois onde falta quase tudo… até o importante para o sexo casual. Temos exercício real e cheiros próprios. Ás vezes até cheiros impróprios e descuidos que terminam em grandes cuidados… Há adrenalina. Vontade. Calor e chama. Chamamento. Há de tudo. Menos o que se pretendia: um local onde se pode fazer exercício e voltar para casa seguro de que ali é um lugar de saúde. Fico verdadeiramente preocupado porque esta sociedade está quase perdida. As pessoas não se amam. Simplesmente se satisfazem como os animais. Não procuram sequer os melhores genes e a selecção, entre silicones e implantes, é tudo menos natural. As pessoas casam e disto não fazem caso. Virou moda e torna a virar. O modo descontraído como se diz: no meu ginásio há uma putice pegada entre casados, solteiros, homens, mulheres é um choque para o futuro que anseio para as minhas sobrinhas e para o meu. Acredito que a ocasião pode fazer um ladrão, mas roubar ou não é educação. Tudo está doido e não há doença maior que a loucura não reconhecida… Há um ano outra pessoa contou-me que adorava ter parceiros de um encontro só. Mandei essa pessoa a um psiquiatra que lhe disse que esse comportamento é normal e até saudável. Fiquei a pensar se estarei eu tão antisocial que me tornei desequilibrado. Se calhar sou. Mas antes assim que frequentar ginásios só em busca de engates…

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