Ensaio sobre Creta e Atenas

Dia 1

O dia começou bem, a depender de uma boleia eficaz e crucial. No aeroporto tudo foi rápido e na Ryanair não há atrasos. É vê-lo aterrar, entrar a correr e em 10 minutos estávamos a ir em direcção a Madrid. Lá, as horas de espera passaram a correr. Nunca vi um aeroporto tão estranho, e conheço muitos. Este terminal 2 de Madrid é horrível. Fizémos um novo check-in e lá fomos para Atenas. Aí encontrámos vários pontos de controlo e novo check-in. O voo para Atenas de 3 horas e meia foi muito bom. A companhia fez um serviço de luxo e eu concluí que não é assim tão certo que não goste de voar. Não aprecio voos low-cost mas passo a explicar: em voos longos a distribuição de bebidas, comidas e mimos que adoçam a nossa boca ajuda, e muito, o tempo a passar… De Atenas para Creta foi a mesma companhia e como tal o voo foi rápido e muito mimado. Quando chegámos, o carro que tínhamos alugado não estava à nossa espera. Como é óbvio não nos fizémos de esquisitos. Alugámos logo outro imediatamente no aeroporto. Foram mais uns euros mas nada de grave. Dar com o hotel foi uma aventura. Mesmo com GPS pois o GPS tinha apenas estradas e cidades principais, o que nos complicou muito a vida porque o hotel tinha à nossa espera uma pequena “villa”  com uma entrada luxuosa. A vista da piscina do hotel era algo do outro mundo. Víamos mediterrâneo por todo o lado. Por detrás apenas montanhas…

Dia 2

O pequeno-almoço era simpático. Lá fomos para o congresso que ficava algures num local remoto da península. Fiz o registo. Entreguei os papéis da bolsa e… enfim livre. O poster no seu lugar e eu com o pé no mundo. Interessa-me muito mais o mundo que a ciência e este meu despreendimento há-de condenar-me ou salvar-me. Não me será, certamente, indiferente… Fomos para Iráklio. A cidade é confusa. Desordenada. E o trânsito é o caos. Foi divertido caminhar pelas ruas e os seus mercados. Comprámos umas coisitas. Uns imans. Fomos para Knossos. Vimos as ruínas do palácio e pouco mais. Infelizmente não tenho muita paciência para “imitações” e “recriações”. Se me querem fazer olhar, estudar e absorver toda a cultura então mostrem-me os originais. De cópias já me basta a vida profissional. A ciência é cada vez mais a arte de copiar… Fomos passar o fim de tarde a uma praia. Malia. Foi impressionante a quantidade de bares, restaurantes, discotecas, supermercados e afins que vimos por m2 na zona da praia. As construcções iam quase até ao mar. A entrada da praia não era mais larga que uns 4 metros. O resto da costa eram bares. Isto no Verão deve ser deprimente… Fomos para o hotel, mais propriamente para a beira da piscina. Disfrutei a vista de tal forma que quase me apeteceu poder vir, 1 mês por ano, para gozar desta vista e desta tranquilidade. O mundo todo deveria ser assim… De noite fomos dar um longo passeio pela zona do hotel. Há muitos bares e restaurantes. As ruas são muito estreitas e imaginei logo a rua imundada de gente na época alta. Estes bares e restaurantes devem ter quem os suporte… gente e muita!

Dia 3

Acordámos cedo como convém ao turista. Comemos um bom pequeno-almoço e fomos em busca de 2 cidades no sul da ilha. Foi difícil chegar lá mesmo com GPS. As estradas estavam muito mudadas e as indicações eram escassas. A paisagem era maravilhosa. Passámos entre várias montanhas. Simplesmente deslumbrante. Á medida que nos aproximávamos do Sul, uma nova ilha aparecia. Os campos estavam cultivados e tudo parecia bastante arranjado. Não é uma zona para turistas. Não é uma zona balnear. Gostei bastante. É perigoso conduzir em Creta. Muito perigoso. Mesmo nas autoestradas. Ninguém respeita os sinais e ainda menos os condutores. Conduzem pela berma e fazem de 1 via, duas. Basicamente, numa estrada com 2 vias, podíamos ver 4 carros lado-a-lado. Incrível! A primeira cidade que visitámos foi Gortis. Era muito gira. Tinha uma parte bem preservada com templos e monumentos realmente capazes de nos transportar para o passado. Depois havia uma parte, vedada, que podíamos circundar, que não estava nada preservada. Podia mesmo dizer que os gregos pararam de escavar e explorar a zona. É uma pena porque enquanto andávamos pelos campos de Oliveiras, tropeçávamos em pedras e cada calhau parecia um pedaço de história… A própria acrópole que ficava abandonada no cimo de uma montanha que tentámos escalar mas os caminhos eram tão maus que decidimos parar a meio. Achei que nunca conseguiria descer a montanha… A segunda cidade, Faestos, era bastante mais preparada para turismo. O castelo estava vedado e as coisas eram mais organizadas. Gostei do que vi. Hoje o dia rendeu. A minha máquina fotográfica, infelizmente, avariou. Um horror. Tudo me acontece. Regressámos ao hotel e foi na beira da piscina, a ler, que acabou a tarde… Dormimos um pouco, jantámos uma boa massa com hamburgueres e ovos cozidos. Fomos até ao centro da vila. Escolhemos o restaurante para o dia seguinte (leia-se: o mais frequentado por gregos e menos turístico…). Haviam muitos bares, restaurantes e lojas por lá…

Dia 4

É bom despertar e não ter absolutamente nada marcado para o dia que acorda connosco. Este dia começou assim. Só precisava de ir ao congresso retirar o poster e pouco mais. Fomos passear por Hersonissos, uma zona um pouco deprimente por vários motivos. As construcções vão até ao mar e são feias. Horríveis. Não há uma identidade ou um verdadeiro aproveitamento da beleza do local. Deviam destruir todos aqueles hotéis baratos e as lojas com cheiro a plástico e falsificação. Em nome de quê se atrevem a destruir uma das mais belas paisagens em troca de negócios duvidosos? Molhei os pés e pernas no mediterrâneo. Apreciei o verde do mar e a clareza da água. Estava de boxers e não pude molhar-me muito mais. Toda a costa são ravinas e grutas com excepção de umas pequeníssimas praias de pedras. Assaltou-me uma questão: afinal para onde vão as milhares de pessoas que aqui vêm no Verão? Só podem refugiar-se nas piscinas e hotéis já que praias, nem vê-las. Podem fotografar aqueles 100 metros de areia e colocar em guias turísticas fenomenais mas classificar Creta como o destino ideal para o Verão é exagerado: nem no Norte, nem no Sul ou Oeste há praias dignas desse nome. São poucos metros de areia ou em alternativa, mais dolorosa, de cascalho. Para mim não dava. Não serve. Praias têm de ser grandes, até se perder a vista… Creta é fixe mas é muito “fashion” e pseudo. Ou serei eu que sou pseudo? Talvez. Mas não troco Portugal, as suas longas praias e privacidade por este turismo de piscina e hotel… Fomos almoçar a casa e em seguida fomos passear pelas aldeias históricas de Hersonissos (old village) e Priskopiano. Agradáveis, mas com muitos bares e restaurantes. Muitos não, exclusivamente bares e restaurantes. Mas são aldeias giras onde se podem ver casas tradicionais e o modo “alegre” como decoram estes espaços. Tomámos um café e comemos um bolo numa esplanada. Era caro mas bom. O fim de tarde foi, de novo, a apreciar as paisagens à beira da piscina. Bem sei que parece uma repetição batida mas o que trouxe de mais fresco na memória foram as paisagens cheias de ilhas, mediterrâneo, casas típicas, terraços brancos e planos, olivais longos e grandes resorts. Descansámos e fomos jantar a uma tasca típica que estava sempre a abarrotar. Tínhamos a certeza que era um bom sitio porque todos os dias passávamos e víamos a quantidade de gregos que lá iam. E assim foi. 6 pratos. Um creme de queijo de entrada, uma salada grega óptima, um bife de galinha, calamares, feijão e batata frita. Tudo vinha em pratos separados, muito bem servidos. No fim pagámos 20 euros. Não só não se pode dar gorgetas como ainda nos fizeram um desconto. Depois do passeio higiénico fomos dormir.

Dia 5

O dia amanheceu com nuvens carregadas. Choveu de noite e algumas pingas ameaçavam o nosso dia. Depois de um pequeno-almoço leve, fomos para agios Nikolao. A cidade era muito bonita. Talvez a mais bonita de todas as que visitámos. Arrumada. Com um lago no centro, que apesar de rodeado de restaurantes e hotéis dava um ar sofisticado à cidade. As ruas transversais estavam pejadas de lojas. Umas mais pequenas, outras maiores. Tudo era comércio. As praias eram pequenas amostras de areia grossa e muita pedra. Haviam duas que de tão pequenas quase não merecem referência. Ridículas. Uma vez mais é a paisagem que salva a cidade. Infelizmente eu não vivo de paisagem. Preciso de molhar os pés e o corpo. Banhar a alma… Fomos em direcção a Sisi. Praia só existe em pensamento. Haviam umas rochas altas de onde se pode mergulhar no mediterrâneo e nadar em águas maravilhosas e quentes. É um local óptimo para quem sabe nadar bem e não pretende esticar-se na areia e ouvir o som do mar. A areia não existe e o som do mar só se pode ouvir sentado nas desconfortáveis rochas ou num dos imensos bares e restaurantes sob o mediterrâneo. É um absurdo o que eles fazem com a costa. Destroem tudo. Onde irá parar isto? Fomos visitar o palácio de Mália. Engraçado mas pouco preparado para turistas. Haviam espaços fechados, ruínas semi desenterradas e muitos sinais de abandono total das ruínas. Ervas daninhas cresciam por todo o lado e plásticos cobriam algumas coisas. Ainda bem que estudantes da UE não pagam porque pagar 4 euros para ver aquelas ruínas num estado total de abandono, ia ser deprimente. Onde será que gastam o dinheiro das entradas? Será que o FMI fica com ele há anos?? Tem tando turismo e visitantes que não se justifica esperar que as coisas se preservem por si próprias. A manutenção dos monumentos não é para ter lucro, será antes um investimento. Fomos para o hotel. Passeámos por Priskopiano e descansámos à beira da piscina. Jantámos lasanha comprada no Lidl e preparámos a mala. A nossa aventura em Creta está quase no fim. Que venha Atenas…

Dia 6

Esta foi uma manhã complicada. Tive dores intestinais muito graves e foi preciso tomar comprimidos para aguentar a viagem. Chegámos a Atenas e foram precisos 40 minutos de metro para chegar ao centro. Foi fácil chegar ao hotel. Depois de banhados e frescos, fomos ao Museu Nacional de Arqueologia. Era um bom museu com exposições essenciais a quem vem para Atenas. Demorámos umas horas aí. Depois fomos para o hotel tentar descansar um pouco mas não consegui. Decididamente este foi um dia “Não”. Á volta do hotel o ambiente era um pouco degradante. Esse ambiente estava por toda a cidade. As ruas sujas. Muitos vagabundos e inúmeras prostitutas. Não ficámos longe do centro da acrópole. 15 minutos a pé. A cidade não me agradou, confesso. O passeio noturno não foi o melhor do mundo mas via-se bem a acrópole, imponente, lá em cima…

Dia 7

Subimos à Acrópole. A subida é difícil mas o pior é mesmo estar lá em cima. Temos uma paisagem maravilhosa sobre a cidade mas confesso que para quem tem medo de alturas, é um local intimidador. As colunas do Parthenon são enormes. Toda a acrópole é impressionante, digna de se ver pelo menos uma vez na vida… Lá descemos para a Ágora. Mais um local onde se respira a História. Cada passo mostra uma pedra nova com detalhes impressionantes sobre como era a vida há uns séculos atrás. Fiquei de rastos. Visitar no mesmo dia estes 2 locais, apesar de serem muito próximos, pode ser muito pesado. Senti por todo o lado que as pedras falavam. E tinham tanto para contar… Só lamento que para mim as pedras soltas não me transmitam o mesmo deslumbramento dos grandes monumentos. Atenas tem pedras por todo o lado. Pedras com história. Aqui pega-se na enxada e sai… História! Quase nada é bem preservado. Mesmo a acrópole. Isso é uma pena. Mas fazer o quê? Cultura nunca é uma prioridade para ninguém…

Dia 8

O dia começou com sol mas foi-se acinzentando com o passar das horas. Fomos ver o templo de Zeus. Passámos pelo Fleas Market e pela biblioteca hadriana. Vimos inúmeras ruínas espalhadas pela cidade e finalmente comprámos algumas lembranças, incluindo o íman para o frigorífico da cozinha. Almoçámos pela Ágora e fomos visitar a antiga cidade de Atenas (Plaka). O dia rendeu, apesar de tudo. Cansados fomos para o hotel. Atenas é uma cidade boa de se visitar mas de tanto ver calhaus e ruínas já me sentia arruinado! Fomos para o hotel tentar descansar pois o dia seguinte seria pesado…

Dia 9

O regresso. Depois de uma escala em Milão lá chegámos ao Porto. Bem dispostos e gratos por mais uma viagem. Uma boa viagem…

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