Ensaio sobre o regresso

A viagem de regresso da Dinamarca correu bem. Cheguei com dores muito fortes no estômago mas certamente vão passar… Estou estacionado neste país por uns dias. Vou ver um concerto no domingo da cantora Simone no coliseu do Porto e na quarta, de hoje a uma semana, volto a viajar. Desta vez irei para a Grécia, praticamente em férias. Não vou levar o computador. Só no meu regresso (9 dias depois) é que escreverei sobre as minhas impressões diárias em Creta e em Atenas… Embora nem tudo esteja a correr mal, estou um pouco cansado. Preciso de me animar em qualquer coisa ou em alguém. Este era suposto ser um ano de desporto mas para já está a ser complicado cumprir a meta que delineei logo no começo do ano. Acho que infelizmente a minha vida tem sido muito nesta base: entusiasmo-me loucamente e vivo em euforia até me desiludir. Acabo sempre por aprender que o mais importante na vida é mesmo aprender. Viver hoje com menos inocência mas mais coerência… Poder-se-ia dizer que ás vezes fico parado no parapeito da janela a ver o mundo acontecer. Questiono-me muitas vezes da justeza do que possuo. Pouco dinheiro mas muito afecto. Talvez me traga uma certa nostalgia pelo tempo em que a pele era pouco mais que a roupa dos ossos. Hoje a pele é o revestimento da alma. Tudo o que trago cá dentro, levo comigo para onde for. Com quem for. Podem imitar, dizer, mentir, espalhar boatos quase certos e até saltar para fora de todas as verdades e de todas as lógicas. Não me importo mais. Tudo o que trago, cá dentro, levo para onde for. Esteja no Porto, Coimbra, Lisboa, Londres, Arhus, Madrid, Atenas… Viajo como nunca imaginei viajar. Ganho bolsas para participar em cursos e congressos sem ter de me preocupar demasiado com os gastos absurdos que algumas destas viagens me obrigariam… Não sei bem onde nem porquê mas há uma sensação de mal estar que me tem acompanhado. Uma solidão passageira que se recusa a sair quando páro. Vai sentada seguindo a carreira da minha vida. É passageira sem bilhete. Viajante sem rumo e sem destino. Talvez seja essa a desorientação que traz e a desilusão de ver a paisagem mudar, o autocarro a envelhecer e lá dentro há apenas uma passageira decadente que se recusa a abandonar o seu banco… Estou fisicamente debilitado. Emagreci 2 quilos. Dói-me o estômago e a cabeça. Aguardo silenciosamente o chegar da Cigarra (nome carinhoso que marca a carreira da cantora Simone). Quero muito ver esse concerto. Preciso distrair-me um pouco. Lavar a alma e afastar-me do corpo. Nesta altura sinto uma estranha tentação no ar. Resisto não por ter certezas mas porque na dúvida as armas não se entregam. Apenas se escondem… Resisto. A tentação persiste mas neste meu regresso, onde sempre a esperança se renova, há uma sensação de casa. De pertença. Quando fui abandonado, ouvia muitas músicas e uma delas que sempre me fez ficar emocionado diz exactamente o que sinto quando o fantasma do passado paira sobre a minha cabeça (para ouvir a alto som…

http://www.youtube.com/watch?v=bkswF5nFd0M&playnext=1&list=PL122F70CD782CD9D1

 

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