Ensaio sobre o meu país na crise…

Se trago uma desilusão enorme neste meu país, não fui eu que a criei. Nasceu dos muitos anos em que, no meu canto, vou mantendo os olhos postos num futuro que quase não me querem deixar viver. Não desisto dele. Acredito que ainda falta cumprir o destino dessa gente do interior esquecido e ostracizado. É neles que deposito a minha esperança… Esses portugueses de alma e coração que lutam desde o nascer do sol até à última hora da claridade. Criam os animais. Tiram o leite. Produzem os cereais e os legumes mais saborosos. Têm o riso sincero das crianças e a pronúncia das dificuldades. Sabem quanto custa ser gente… Se acredito só neles é porque na volta, acabo sempre por ficar entristecido com as pessoas que vão passando pela minha vida. Deixo-as ir de passo apressado em direcção ao mesmo de sempre: egoísmo… Querem ganhar muito dinheiro e até na hora de um encontro de amigos, se discutem os trocos só pelo medo de que alguém lhes cobre um pouco mais… Se trago uma desilusão enorme neste meu país é porque há limites para tudo e para todos e o meu há muito foi ultrapassado. Já não chega exigir que essa cambada de gente sem pátria nem respeito se reduza à insignificância dos seus anos de vida face à eternidade na morte. Os euros não compram a morte. Não vão conseguir perpetuar o que a postura e o pensamento não conseguirem… Se trago uma desilusão enorme neste meu país é porque tenho esperança e acredito que as coisas podiam ser muito diferentes. Na ciência, na tecnologia, na saúde, na economia e especialmente na política. Acredito. Espero e desespero quando á luz de um novo dia recomeça o filme que ontem já vi e vivi. Senti. Rasguei o guião em mil pedaços. Furiosamente. O fim não me agradou. O filme é fraco e os actores, multi premiados e bem maquiados, são o espelho de quem os aplaude na plateia… Abomino as palmas que não mereço e os elogios, que sendo falsos antes de serem ditos, já nem ouço. Se trago uma desilusão enorme neste país é porque sempre me recusei a emigrar por saber que indo serei incapaz de voltar… Embarco em mais uma das minhas viagens dentro de dias. E embora não tenha entrado ainda no avião, sinto já uma saudade enorme deste meu país. Do cheiro das praias, das montanhas e das pessoas. Amo o meu país. De norte a sul. Delicio-me com a comida. Fascino-me com as paisagens e emociono-me com os velhos sentados no beiral da casa. As suas histórias interessam-me muito mais que ser milionário. Eu só quero viver bem… Ser feliz e andar tranquilamente sem dívidas e sem peso na consciência… Um dia, o Portugal que eu sonho vai-se realizar. As pessoas serão todas da mesma classe social. Os políticos vão governar para as pessoas e as ideias novas são florescer pelos cantos e esquinas. Se trago uma desilusão enorme neste meu país, é porque cada vez me identifico mais com ele e menos com as pessoas que encontro por aí. Se não estivesse no Porto, onde a vida é bem melhor, acho que não aguentaria e teria de ir ao encontro de países civilizados como Suiça, Suécia, Finlândia, Áustria ou Dinamarca… Vou até à Dinamarca por mais de uma semana… Nunca estive tanto tempo fora sem ninguém mas não irei sozinho porque a saudade vai comigo. Espero regressar com mais força e determinação para enfrentar as novas viagens que virão logo a seguir… Abril será assim, cheio de viagens e de planos, sempre com Portugal no horizonte…

 

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