Ensaio sobre a política

A política não tem de ser um mal necessário. Pelo contrário. Deveria ser o Bem exigido por todos que desejam uma sociedade mais justa, equilibrada e funcional. Acontece que neste país vive-se de aparências e do superficial. É a selva e o salve-se quem puder. Quem, por qualquer motivo, sentir dificuldades é abandonado à sua má sorte. Azar. Estabelecem-se prioridades de casas e carros e a política é governada pelos números. Taxas e percentagens. Estatísticas tantas vezes viciadas e números desenhados em papel branco, em salas ovais ou gabinetes fechados onde se acumula uma energia de chico espertice. Vivem na fantasia de um rio de euros e de um cofre cheio de barras de ouro. Maciço e pesado. Quanto mais grosso melhor mesmo que para cada grama de peso seja preciso desistir de centenas de pessoas. Corre-se em busca do carro novo. Da casa moderna e ultra fashion. Escolhem a política por ser o caminho mais fácil para lá chegar… Optam pela invenção deliberada para ganhar dinheiro, prestígio e até publicações científicas em revistas de renome. Passam os anos. O tempo apodrece o que em si guarda tanto esterco. O lixo fermenta devagar e os gases corrosivos vão ganhando espaço e estabelem contacto. Compram-se perfumes caros e licenças em ginásios da moda.  Compra-se uma segunda casa para férias mas o lixo, o estrume da alma, acumula-se em grandes roupas de marca e sapatos caros. Mesmo quando são daquela marca que tirariam da fome centenas de pessoas… O papel higiénico não é branco e comprado a descontos num desses supermercados do subúrbio. Tem cores e até perfume. Quem sabe se não será para poupar na água que sai pelas torneiras importadas… Importado. Estes e estas políticas dos nossos dias ganharam do Brazil a mania subalterna de dizer: importado. É o produto italiano, alemão, austríaco e quem sabe se pelo meio não vem lá um país terceiro mundista, assim como esta importação. A política de hoje está transformada num mal necessário. Num tango a dois e não a dez milhões. E são eles que distribuem o dinheiro e as benesses. São eles que gerem o dinheiro que todos os dias entregamos cegamente… São eles a imagem real do que não se pode fazer com as pessoas. Gente é carne, é pulsação e respiração. Gente é sentimento. Gente não é nem nunca será números ou política mas agora alguém que me explique de onde saiu essa ideia de que a Política algum dia será alguma coisa sem gente??

 

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