Ensaio sobre as provas

Passaram 7 dias desde a minha última entrada no blog. Escrevo já Doutor. Por extenso. Por unanimidade, Louvor e Distinção. Escrevo sem hesitar sobre a minha noite. Foi igual a tantas outras. Talvez esteja mais leve. Menos preocupado mas é bom saber que fiquei exactamente igual. Nada mudou excepto a quebra de uma ligação que há muito estava emocionalmente perdida. Faço o balanço de 5 anos em Coimbra e sobram os amigos que de lá trago. Poucos mas bons. É a melhor sensação do mundo sair de um lugar e trazer de lá o que de melhor se pode trazer: amigos. Poucos conhecidos. Poucos amigos. Mas bons. E isso basta-me para que o balanço seja positivo. Uma única pessoa realmente valiosa teria sido suficiente. Mais que uma é uma benção e a partir daí é puro ouro! Assim sendo e apesar de ter acordado hoje com os mesmos olhos e o mesmo pensamento do dia de ontem, há um alívio inerente. Mais nada mudou. Continuo a mesma pessoa. Talvez esteja um pouco mais orgulhoso por mais uma pequena vitória. Sem falsa modéstia. Este grau custou muitas horas e foi o resultado de muito trabalho. Há naquela tese uma entrega e dedicação que só não vê quem não quer… Acordei sem me lembrar que já passou o pesadelo. Agora é esquecer o que correu mal. A aprendizagem foi feita e já sei o que não devo fazer e as coisas que devo evitar… Isso também foi importante. Talvez possa ter sido a parte mais importante. Saio uma pessoa melhor, tenho a certeza. Não vendi a alma ao Diabo e não deixei de marcar uma posição concordante com o que penso. Se toquei, moldei ou fiquei na Vida de alguém, então tanto melhor. Se apenas passei e em breve ninguém se lembra de que estive por ali, tudo bem na mesma. O que importa não é a imagem que têm de nós ou o que pensam. O que realmente interessa é o que a nossa consciência nos dita. E a minha sai como entrou: tranquila. Posso dizer então que estou muito feliz não pelo grau mas pelo degrau. A escada que me eleva do comum, do banal, do oco e do imediato tem menos um degrau… É bom chegar ao fim com a sensação de dever cumprido. É muito bom aceitar de bom grado que não encaixamos em determinados locais e que não servimos em certos ambientes. É uma benção ser “persona non grata” quando a única coisa que queremos é não ter qualquer relação com algumas coisas do nosso passado… O Doutoramento já passou e há uma nova vida à minha espera. Não sei o que me espera, nem quero saber. Sigo em frente com a mesma convicção de sempre. Não me falte a saúde e estou bem. Vou de encontro ao futuro. O mesmo. Nada mudou. Continuo o mesmo rapaz impaciente, inteligente para entre os amigos e família. Só isso. O grau já esqueci. Relembrei agora para escrever sobre ele. Nada mais. O meu nome não mudou e não mudará. Será sempre o mesmo… Sem graus! Aliás, confesso que um dos momentos mais bonitos do dia da minha defesa foi o agradecimento simples de uma pessoa simples que com tanta simplicidade me desejou “boa sorte”. Mal me conhecia mas o seu desejo de felicidades ecoou em mim como um bom presságio. O sentimento era verdadeiro e embora mal me conhecesse a simplicidade do gesto rompeu a complexa barreira que tanta vezes me separa do social e do popular. Gosto de coisas assim, honestas. E isso basta-me. Gente humilde fala com os olhos. E os meus continuarão a dizer tanto…

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