Ensaio sobre o egoísmo

Egoísmo não se centra apenas no “Eu”. Anda muito à volta do “Tu”. Da falta de sensibilidade para perceber que existe alguém muito mais necessitado de afecto, carinho e coragem do que “Eu”. O egoísmo não pode ser apenas visto como um mundo em volta de um umbigo. Há também o egoísmo que tenta passar despercebido: a incapacidade de pensar nos outros mesmo quando a vida não se centra em si mesmo. Quantas vezes, durante uma conversa, nos perdemos pela pouca consequência do stress de quem nos fala? Para onde vamos quando as pessoas nos confiam os seus segredos, tão pouco secretos, mas são incapazes de ouvir os nossos? É um egoísmo mais dramático porque foge do conceito normal e aceitável. Discutível. E como tal, não se fala nele. As pessoas pensam: eu não me centro em mim. E acham que isso chega. Pois hoje, em jeito de alerta, deixo escrito o que penso: isso não chega. Podemos não pensar apenas em nós mas a grande questão é: e nos outros? Não me concentro demasiado em “Eu” mas… terei discernimento suficiente para entender o “Tu”? Sei o que ele quer? Sei do que ele precisa? Provavelmente não. Entristece-me que assim seja. Que algumas pessoas se percam pelo pior tipo de egoísmo, aquele que peca pela indiferença ou covardia para perguntar: e tu? Não sei se faço essas perguntas tanto quanto devia mas esforço-me por pensar no “Tu” mesmo quando o “Eu” chega de mansinho e se aninha enredado de laços e cordas no fundo da minha solidão. Tento ignorar o meu próprio estado de alma, o meu jeito meio desengonçado de pedir um abraço quente e um cachecol humano em redor ao pescoço. Porque não expôr-me um pouco mais, destapar o corpo para cobrir necessidades alheias… Trocamos o “Eu”, cada vez menos, pelo “Tu”. Quando muito preferimos amadurecer a ideia de guardar a sete chaves o egoísmo centrado no egocentrismo. Algo diferente! Egoísmo e egocentrismo são realidades tão diferentes quanto o vinagre de vinho e o vinagre de maçã. A acidez não é a mesma mas o efeito final muito semelhante… Até quando estaremos dispostos a esquecer que para sermos escutados, primeiro temos de ouvir? Há muito que cultivo uma preocupação sincera com os outros. Com as pessoas que conheço e até com as que nunca vi e jamais verei… Sei que estou no bom caminho porque sem esquecer que realmente sou Eu quem tem de Viver a minha vida, não deixo de recordar-me dia após dia de que existe um Mundo inteiro de oportunidades lá fora… Basta querer abrir a porta ou bater com ela. E é aí que me leva este texto, ao bater da porta. É preciso barrar definitivamente a entrada a pessoas que se esquecem de nos perguntar como estamos, o que pensamos ou onde vamos… Parasitas? Não obrigado! Não!

 

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