Ensaio sobre a Incapacidade

Cruzo-me muitas vezes com histórias de gente incapaz. E normalmente a incapacidade desperta incapacidades ainda maiores. Assim, a incapacidade que algumas pessoas têm para assumir a sua própria incapacidade, cria a minha incapacidade para compreender porque se acham capazes de fazer alguma coisa para a qual não têm qualquer capacidade. Trocando por miúdos, vejamos um caso muito comum no meio que me rodeia. Chega ao poleiro da chefia, qual galos e galinhas tontas, quem pode e não quem merece. Como tal, temos gente incapaz de liderar o que quer que seja. Nem sequer a sua própria vida ou a sua casa. Mas têm de mostrar que são líderes para se mostrarem capazes. Para se sentirem aparentemente realizados pela voz altiva, pelos e-mails que nada contêm excepto a ordem: eu mando. Eu mando e tu obedeces. Seria tão mais fácil dizerem: eu não sou capaz. Quantas vezes eu digo que não sou capaz de cozinhar. Não sou capaz de escalar uma montanha ou mudar fraldas. Não sou capaz de dizer a alguém o que fazer da sua vida. Não sou capaz de fazer um afundanço numa tabela de basquete. Não sou capaz de tantas coisas… Não sou capaz de liderar uma equipa. Não sou capaz de me desdobrar em 3… Poderia alongar-me em milhares de páginas só para enumerar algumas das coisas que não sou capaz. Algumas coisas jamais serei capaz de fazer. Outras tenho a certeza que é uma questão de tempo até conseguir. A incapacidade é algo relativo a um momento. Aos 10 anos era incapaz de escrever este texto. Hoje faço-o em 5 minutos com a velocidade do meu pensamento na ponta dos dedos. É daí que me chega a incapacidade para compreender o que leva as pessoas a esconderem as suas próprias incapacidades. É moralmente reprovável esta falsa ilusão de todos serem capazes de tudo. Toda a gente é sobredotada e serve para tudo. Todos são capazes de liderar e mandar. Mandar será assim tão fácil? Eu tenho a certeza que não! Não me convidem para ter de dizer ás pessoas o que fazem do seu trabalho ou da sua vida. Sou incapaz de o fazer… Peçam-me opinião, se alguma relevância pode ter na decisão, mas não me julguem capaz de esquecer a minha incapacidade para mandar… Hoje o meu dia foi marcado por uma reunião e por uma queixa de alguém que sente na sua própria pele aquilo que eu entendo como a incapacidade de perceber a incapacidade de outrém! São estes os exemplos que procuro evitar. Não há nada como repetir mil vezes: não consigo, não sou capaz. Reconhecer a minha incapacidade de hoje é preparar a minha superação de amanhã. Quem não reconhece os seus limites, nunca os ultrapassará porque a sua meta não está ao fundo, apenas acima. Pois que cresçam na sua própria incapacidade camuflada aos olhos de gente desatenta porque nós, os que reconhecemos as nossas próprias incapacidades, vamos ultrapassá-las e em breve dizer: já sou capaz. Vamos exceder as nossas próprias expectativas e correr atrás de uma meta sempre uns metros à frente. De tal maneira que até ao fim dos nossos dias seremos sempre incapazes de fazer algumas coisas mas muito menos do que éramos antes… Todos esses que geram a minha incapacidade de compreender como podem negar a sua incapacidade, vão chegam ao fim dos seus dias sem se excederem e sem vencerem as suas incapacidades. Permanecerão incapazes. Motivo de chacota silenciosa nestas páginas virtuais e nas mesas de café…

 

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