Só a ganhar

Em algum momento da minha vida,
devo ter-me desviado irremediavelmente do caminho que a Vida havia desenhado
para mim. O que tinha tudo para ser uma relação feliz e livre converteu-se em
condenação e hoje vivo preso a um passado que teima em não me largar. Teve
inconscientemente uma grande vitória. Essa condenação conduziu-me a boas
amizades. Relações de entrega e entre-ajuda que não teria se a minha sina não
fosse esta: tentar livrar-me do que já passou e só lá atrás se pode ver… Ás
vezes dou comigo a pensar no que terei feito para merecer tal prisão mas
concluo sempre como começo. Se pago por um erro, só pode ser pela inocência dos
meus 19 anos. Em que ponto da Vida me esqueci de aprender? Da adolescência não guardo
muito mais saudades para lá do sorriso 100 % inocente, apesar de tudo… e tudo
o que passei naqueles anos de pés descalços e pele ao sol foi tanto… Tenho a
Vida como testemunha. Se aos 19 anos não conseguia estar atento e me envolvi
com quem não devia, a culpa foi minha. A falta de inteligência e maturidade foi
toda minha. Condeno-me moral e intelectualmente por tudo desabar num terreno
pantanoso onde não devia ter construído nada. E sobre a lama ficam anos da
minha vida que podiam soterrar os anos que me restam. Não fosse alguém…
Alguém que se aproximou em pés de lã e sujou a sua roupa só para me arrancar
dali. Alguém que respeitou a minha condição de “feliz por momentos” e esperou,
na lama, o momento certo para me mostrar o caminho de volta. Não sei se
recuperei a inocência de há anos… Talvez sim, talvez não. Mas o que sei é
muito simples e não poderia ir buscar inspiração a mais ninguém senão a
Saramago que cada vez mais admiro… Um dia ele disse que se não tivesse
conhecido Pilar teria morrido muito mais velho. Daqui tiro a frase que preciso
deixar escrita porque nunca sabemos o dia de amanhã, nem mesmo o resto do dia
de hoje. Assim deixo hoje a dedicatória de todos os dias:

“Se não te tivesse conhecido
teria morrido muito mais novo e sem interesse nenhum…”

Esta frase não é confusa. Para
quem não sabe sempre quis morrer novo. E sempre fui burro! Mas nos últimos anos
isso mudou. Vejo-me envelhecer como nunca me vi e mais interessante do que
alguma vez imaginei. Não nasceu comigo. É algo que tenho vindo a adquirir com a
calma de quem não tem nada a perder, só a ganhar…

Marco

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