O silêncio criador ou cria-a-dor!

Silêncio. Há anos que apregoo o silêncio como um dos maiores
responsáveis pela minha estabilidade. É o meu braço direito. O bom conselheiro
que sempre preciso escutar. É preciso estar muito atento e concentrado para não
o perder. Mas por motivos que me escapam, o silêncio anda de mim afastado e não
o encontro. Resultado: fico destabilizado e momentos há em que duvido que seja
EU quem pensa os meus pensamentos. Tenho sonhos que nascem de uma vontade que
me é alheia. Duvido que seja capaz de os querer sonhar. Não tenho qualquer
desejo de fugir do meu silêncio para tamanha agitação. Acho que é a falta dele
que me encaminha para tal. Dito isto, resta-me esperar que esta seja uma fase.
Curta e passageira e que não deixe marcas. O pior que me podia acontecer era
penar, ainda mais, por um erro que não consigo, neste momento, controlar. A
falta de silêncio é um erro que pode tornar-se numa grande nódoa no pano que
fecha o palco da minha Vida. Esse pano não é já imaculado. Salva-me a sua cor
vermelho-sangue, vermelho-paixão, vermelho-dor, vermelho-Vida… Não são nódoas
assim tão pequenas mas em cada uma há uma história que encerrei sem perder a
cor. Ficou só a nódoa. A construção do pano, de cima para baixo, vai sendo
feita de materiais distintos. De tal maneira que, sonho nos meus devaneios, que
um dia quando a peça da minha Vida terminar, as cortinas fechar-se-ão de vez e
o pano, ao cobrir o palco, tocará nos pés dos espectadores que sentirão o mais
leve e fino toque da pura seda… Ando um pouco assim. Tenho receio de não
conseguir reencontrar o meu silêncio. O tal que é criador. Que cria, gera um
bem-estar. Cria estas palavras e o meu pouco talento. O silêncio. O tal que me
sacia quando sinto uma fome de cultura e intelecto. O mesmo silêncio criador do
que de mais belo e profundo possuo. Esse silêncio cria também a dor. Silêncio
cria-a-dor. O meu silêncio criador, cria-a-dor com a mesma intensidade com que
me presenteia com a alegria. Viver é isto. É ir criando e chorando. Silêncio,
que vou criar… ou vou sofrer…

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