Serão 10, 20, 30… ou 180?

Resumir o meu dia é cada vez mais fácil. Acordo por volta
das 7:20. Saio de casa 10 minutos depois. Conduzo cerca de 30 minutos e entre
as 8-8:15 chego á faculdade. Sento-me a tomar um café até ás 8:30 por 2
motivos: primeiro porque as portas só abrem a esta hora e segundo porque até
tomar o meu primeiro café eu não funciono. Simplesmente sou incapaz de
raciocinar correctamente até ter tomado um café. Acabo o meu café e quando são
8:35 já estou sentado no gabinete com o computador ligado. Até ás 12 não me vou
levantar da cadeira a menos que existam necessidades fisiológicas. Por volta
das 12 em ponto levanto-me e saio um pouco: vou almoçar. Chego à cantina,
recebo um sorriso da senhora a quem tenho de pagar a refeição e sento-me,
sozinho, a devorar o prato do dia. Ás 12:35, no máximo, estou de volta ao
gabinete onde vou permanecer a menos que seja preciso reunir com o chefe. Ás vezes,
por entre os gráficos, as tabelas, os artigos e teses, salta-me um enorme desejo
de sair. Se arranjar companhia ainda vou lanchar e tomar um café. Se a
companhia não aparece reduzo-me à minha insignificância e deixo-me estar
stressadamente mergulhado no trabalho, seja ele qual for. Por volta das 19 olho
distraidamente para o relógio e penso: meu Deus, como o tempo passou. Ás vezes
parece que não fiz nada. Outros dias sinto que fiz quase uma tese inteira. Já se
sabe como é! Demoro 10 minutos a sair da faculdade. As portas estão todas
fechadas e tenho de dar uma volta inteira pelo edifico. Alguns dias, como hoje,
sou obrigado a usar um elevador completamente sem luz! Uma aventura. Só lamento
não ter a companhia certa para que tamanha viagem de 4 andares, sem luz, fosse
bem aproveitada. Entretanto arrisco-me a ir às escuras entre carros mal
estacionados e um estacionamento semi-vazio. Faço a minha ginástica do dia e lá
dou a volta ao quarteirão. Chego ao carro e cansado sento-me ao volante. São mais
30 minutos de viagem. É só rezar para que nenhum aselha me atrapalhe o dia. Chego
a casa por volta das 19:45 ou 20. Não há muito mais tempo a perder. Janto à
pressa. Quando janto… Entro apressado no quarto de banho e o banho, o momento
de maior prazer do meu dia, faz milagres. Renasço. Toda a poeira que teima em
tapar-me a vista sai. Saio do banho e em menos de 10 minutos estou de volta ao
computador. Serão pelo menos mais 3 horitas de trabalho. Desligo apressado o
computador quando olho para o relógio mas a vontade de dormir não vem e é
preciso ler. Vão ser 20, 30, 40 ou 180 minutos… É o momento menos rotineiro do
meu dia. Nunca sei o tempo que vou demorar até apagar a luz! E hoje? Serão 10, 20,
30… ou 180?

 

Marco

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