Os aplausos vão-se fazer ouvir na chegada

Qualquer dia expludo. Mas note-se: não sou terrorista e sempre
abominei esta história, antiga e repetida, de homens-bomba. Sempre que cruzo
com uma dessas notícias de capa de jornal onde se fala sobre esses nacos de
carne que se explodem, faço questão de não ler. Penso sempre que esses são contos
de terror que estão só nas capas de jornais, nas imagens da TV e em livros
dispersos sobre o médio oriente. Num mundo cada vez mais globalizado, numa
época em que se cruza o globo em apenas algumas horas, já não faz sentido
protestar com a própria vida e arrastar vidas inocentes. Qualquer tipo de
protesto que prejudique terceiros dispenso e sou incapaz de tomar parte. Voltando
ao início, saliento que a minha vida parece uma bomba-relógio. Ouço lá no fundo
da consciência o tiquetaque repetido e batido dos velhos relógio de corda. São
os segundos que se gastam sem glória. Mas agora eu sinto que há uma meta clara
onde as mãos se vão entrecruzar num ar vazio e vão ser capazes de encher de som
o silêncio. Os aplausos têm de se fazer ouvir na chegada. Não é que os queira
ouvir. Preciso apenas de saber que cheguei. Não exijo sucesso, dinheiro ou um
mundo de oportunidades. Tenciono chegar, ouvir os aplausos, e olhar em redor à
procura do riso e da alegria dos que assistem. Só faz sentido chegar a algum
lado se estiver por lá quem reconheça o caminho percorrido. Se alguém correr 42,195
quilómetros em menos de duas horas não fará de si o maior ou melhor corredor. São
precisos os aplausos, os espectadores para que o recorde seja possível de ser
averbado. Assim, as pequenas vitórias da minha vida só têm sentido se estiver
na chegada o meu público, de braços abertos, a aguardar o momento exacto para
me presentear com o caloroso sorriso… Hoje começaram os contactos para o
projecto de pós doutoramento. Há uma semi-ideia. Há uma vontade enorme de criar
um projecto à medida do que preciso para ter financiamento. Continuo a lutar em
várias frentes. Jamais desistirei mas vou avisando: o tempo de dar a outra face
para bater já passou. ‘se você achar que eu estou derrotado, saiba que ainda
estão rolando os dados, o Tempo não pára… ‘  

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