De repente até me apetece ser macumbeiro

Um destes dias alguém me mandou uma mensagem privada a
propósito de uma entrada deste blog. Não era mais que uma sugestão. Dizia essa
pessoa, que confesso não conhecer pessoalmente nem sequer do Messenger, que
devia escrever mais sobre temas da actualidade. Acontece que as notícias com
que nos bombardeiam diariamente nas televisões e jornais reflectem apenas e só
o óbvio e eu tenho uma certa aversão ao superficial e comum. Por isso acho que
vou noticiando aqui o que me parece mais relevante no campo social e humano. É que
as coisas não me comovem. Não me obriga a pensar o Pedro Passos Coelho e a sua
ambição ou o Orçamento de Estado e a nossa cruz de apertar os cintos. É óbvio!
Tudo demasiado evidente para ser comentado. Só por ser tão claro quanto o
branco, negra é a minha vontade de escrever. Não me dá que pensar. E nada tenho
a acrescentar ao que aí está e que não é mais que estrume para o futuro (como
diria Nandinho…!). Recuso-me a gastar palavras, a afinar letras e consumir o
meu pensamento com o banal. Depois há muita tragédia por aí. Seria imoral, do
meu ponto de vista, achar-me no direito de opinar sobre coisas que não só não
interferem directamente comigo como poderiam ser mal interpretadas de parte a
parte. Por quem escreve, e por quem lê. Prefiro este sistema centrado no que se
cruza comigo e com a minha vida. E a espaços lá vem um ou outro comentário ‘óbvio’
sobre política ou uma notícia. Assim, por estes dias ando perdido entre resultados
e uma tese que parece não querer andar. Mas tem pernas e só isso chega para que
o longe se encurte na distância de pequenos passos. Continuo numa fase
mentalmente muito activa e fisicamente sinto-me fresco. Renovado muito por
culpa da música, o meu alimento de alma e sossego do corpo. Por estes dias
assisti, finalmente, ao DVD ‘Tecnomacumba – ao vivo e a tempo’ de um
espectáculo absolutamente incrível de uma cantora brasileira chamada Rita
Ribeiro. Lembro que em 2008, mal ouvi o CD fiquei boquiaberto. Imediatamente percebi
que aquele não era um CD normal. O estilo é muito diferente de qualquer coisa
que se tenha ouvido antes. Não me agradou a 100 %. Nem pode ser um trabalho
unânime pois mistura religião, música tecno e rock. Orações pagãs, tambores e
música electrónica. Mas atingiu-me como um raio. Rita Ribeiro é, depois de
Bethânia, a maior das intérpretes. Há uma beleza inata na sua voz e uma
humildade que me agrada. Ver o DVD trouxe-me o que eu já imaginava: a certeza
de que a minha primeira impressão não estava errada. Rita Ribeiro faz arte e
este ‘Tecnomacumba’ é um marco na música brasileira que mereceu este registo áudio
e vídeo para a eternidade. Fico animado quando a ouço. A energia que me chega
pelos ouvidos corrompe o meu corpo inteiro e obriga-me a dançar e a prestar
atenção às letras. De repente até me apetece ser macumbeiro. Despachar numa
esquina qualquer um papel envolto em seda onde um nome seria escrito a sangue e
fogo… Rita Ribeiro e o seu Tecnomacumba serão sempre uma banda sonora belíssima
da minha vida que não esquecerei jamais pela força que dá, pela beleza e pela
comunhão entre fé, música e profissionalismo. Recomendo vivamente…

Marco

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Não categorizado. ligação permanente.

2 respostas a De repente até me apetece ser macumbeiro

  1. Danilo diz:

    Axo que seria capiz por um grande amor

  2. Danilo diz:

    Quero ser macumbero , sera que vou consiguir ?

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s