Bom sintoma de humildade

Ontem fui até Santa Maria da Feira assistir a um filme, ‘Olho
Nu’, no 13º festival de cinema luso-brasileiro. Em traços gerais, o filme não é
mais que a complicação de imenso material vídeo e fotográfico do artista Ney
Matogrosso (hoje com 68 anos) desde o início da sua carreira. O conceito
inovador do filme prende-se com o facto de o realizador tentar mostrar a
evolução artística do cantor tendo por base o roteiro do seu último show, um
dos mais bem sucedidos de sempre. Acontece que não acho que a veia artística e
camaleónica do artista esteja bem descrita no filme. Tudo bem, era um ensaio. O
filme, como frisou e muito o realizador, ainda não está pronto. No entanto, acho
que dificilmente vai ser capaz de atingir os objectivos mínimos. Qualquer filme
sobre Ney Matogrosso será muito difícil porque a linha que separa o provocador,
sensual e libertário do vulgar é muito ténue e Ney hoje é sensual, provocador e
um verdadeiro artista mas desconfio que nos seus primeiros anos gostava mais de
ser chocante e roçar a vulgaridade. Também não me agradou muito a maneira como
algumas personalidades ligadas à música brasileira apareciam e desapareciam sem
se enquadrarem com nada. Trata-se, no entanto, de um documentário sobre uma
personalidade única da música brasileira e mundial. Muitas das imagens
utilizadas são do acervo particular do cantor e por isso revelam facetas
desconhecidas do grande público. Volto a frisar que muitas dessas imagens são
de uma intimidade enorme e deveriam, talvez por isso mesmo, ser seleccionadas
com muito cuidado. Não há nu frontal mas quase e algumas dessas imagens parecem
pouco enquadradas. Engraçado foi o facto de eu aparecer numa imagem retirada do
concerto do Ney Matogrosso no coliseu do Porto. O concerto foi de facto muito bom.
Depois do Bis, das cortinas completamente fechadas, as luzes ligadas e a música
de fundo começar a tocar, ninguém arredou pé e o Ney teve mesmo de vir
emocionadíssimo ao palco agradecer de novo. Outra curiosidade foi o facto de,
apesar de eu ser imensamente tímido e permanecer sossegado num canto da sala,
das duas vezes que o Ney se cruzou comigo cumprimentou-me. Achei de uma
simpatia extrema. Percebeu claramente que eu era um fã e ao invés de não
reparar, decidiu falar. É um bom sintoma de humildade…

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