Vidas consumadas antes de terem sido…

Há vidas que se desperdiçam e despedaçam de tanto descuido.
Existem vidas que se tomam como consumadas ainda antes de terem sido. E escrevo
isto convicto de que há por aí gente que de tão perdida se convence que está a
viver muito mais que todos os outros. Este pensamento chegou-me como um livro
aberto enquanto assistia a um filme que me impressionou bastante: ‘Into the
wild’. A ideia esfumou-se, perdeu-se durante um tempo sem um registo digno mas
há cerca de quinze dias voltei a ver um filme biográfico sobre Cazuza, um dos
mais geniais ‘poetas’ brasileiros, e voltou a convicção de que o talento muitas
vezes chega de mãos dadas com a convicção absurda de querer tudo depressa e é a
uma velocidade vertiginosa que chega a sombra da toda-poderosa Morte. Fico
sensibilizado e muito incomodado por ter de aceitar o desperdício de Vida a que
se sujeitam algumas pessoas. Pior que isso: acham que viver é fazer o que se
quer e como se quer. Não estabelecem limites e, até aceitando que são felizes,
é impossível não ter um sentimento de perda muito grande por haver quem nasça
iluminado e gaste toda a sua luz com coisas que aos meus olhos só podem ser
absurdas. Assim, temos jovens que se emaranham na Vida e partem em busca do nada
encontrando apenas e só a Morte como grande companheira de viagem. Foram
felizes? Talvez, até aceito que tenham sido. Mas não é um desperdício? Absurda
parece-me também a opção de arriscar a vida pelo prazer leviano de conhecer na
cama muitos homens e/ou muitas mulheres. O prazer carne não vale o desperdício do
talento. Com esse prazer, muitas vezes descuidado, podem chegar doenças que
arrastam quem a tal comportamento se submete a um fim rápido e penoso. E, com a
franqueza que me é reconhecida tenho de escrever, se há pessoas que podem entregar-se
e partir outras há que ao partir apagam uma luz muito forte que poderia
iluminar e fazer muito por quem fica… Poderia dar muitos exemplos de pessoas
que vivem (?) depressa e se sujeitam à partida precoce. E a luz? A luz apaga-se
depressa demais e obriga-nos a um período muito mais longo de escuridão…

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Uma resposta a Vidas consumadas antes de terem sido…

  1. A A S Lourenzo diz:

    Sim amigo. Tudo isto é uma grande solidão de valores, de descernimento entre o TER e o ir conquistando, entre o prazer de ir construindo a vida, como um puzzle, com suor e lágrimas e vivê-la num só instante em que tudo se consuma na verocidade do prazer instantâneo. Por isso digo: o prazer da espera, da construção, do sofrimento, torna o edífico da vida muito mais sólido.Um abraço.

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