‘… palavras entregues por telepatia ‘

Hoje acordei com medo, sem motivo aparente. Raras são as
vezes em que me assalta tamanho sentimento. Há sempre uma justificação mesmo
que não seja a mais racional ou satisfatória. Desta vez tudo começou pelas
palavras não ditas, pelo que ficou atravessado na garganta e me impedia de respirar.
Receava não ter oportunidade de libertar o que ficou por dizer e que as
palavras se perdessem depois de suspensas no ar. Não aconteceu tamanho
problema. Consegui criar a ocasião propícia para que tudo saísse com
naturalidade e aos poucos a pressão que em mim mesmo desenvolvi foi-se
esfumando numa atmosfera que ia ficando pesada com o choque da verdade. E fui
libertando as amarras que me prendiam. Não consigo ficar bem enquanto não
esclareço de uma vez por todas tudo o que preciso saber para decidir que passo
tomar a seguir: em frente ou atrás. Se há uns tempos ia sentindo uma amizade
fugir por entre coisas não esclarecidas, hoje tive a confirmação de que o
afastamento é tão certo quanto o nome que me deram à nascença. Sinto que perdi
ou estou a perder alguma coisa com todas estas amizades, escolhidas a dedo, que
se vão transformando em histórias acumuladas em páginas do livro da minha vida…
Um livro de esquecimento. E hoje um amigo dizia-me que por telepatia ia
comunicando comigo. E eu acredito plenamente nisso. Ouço por vezes, através de
um olhar, tudo o que tem para me dizer. Sinto também, em muitas situações, o
que diria. Os dias passam a correr e nesta azáfama de viver nunca me esqueço
que medo é uma desculpa para um abraço ou um consolo. E nunca tive nem abraços
nem consolos. Foram precisos 25 anos para receber o primeiro e perceber o quão
importante isso pode ser. E esse afecto liga mais duas pessoas que um Amor, uma
amizade ou um laço de sangue. Por telepatia chega também uma força estranha e indescritível
que lembra o meu lugar. Pensei acabar o dia a jantar sozinho mas por telepatia,
por caminhos incompreensíveis chegou a mensagem: se o fizeres, quem ocupará o
teu lugar na mesa de tua casa? A cabeceira é minha. Sou o patriarca e esse não
tem espaço para desabafo, só o alívio da escrita e a capacidade de conseguir
discernir entre tanta gente ‘especial’ a flor mais rara de todas. Escrevo no
comboio. Vou entrar em casa sorridente e feliz pelas palavras suspensas
entregues por telepatia…

 

Bj

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