‘ Quando até nas palavras me perco ‘

Os meus pés pisam a areia suave. Murmuram um segredo que não consigo conter a nada nem ninguém que toque a minha pele. Percorro a praia de braços esticados e toda a humidade no ar não é mais que um sinal de aviso, um despertar da sensibilidade e um modo de expor esse meu tão inviolável segredo. Arranco os calções e não me sinto desnudo. Não me sinto envergonhado ou temeroso. Avanço praia fora em busca de um limite que não parece existir. São horas de caminho. Pé no chão e tudo exposto ao ar e ao sol. Não se vê gente, só gaivotas. Caminho sem rumo, só com direcção. E o Sul passa a ser o meu Norte… É um caminho longo que tenho para percorrer mas sei que será em vão. De nada me adianta esta necessidade de esconder o segredo. Ele é visível em cada passo. O Mundo, de quem escondo o escondo, está em todo o lado. Não posso evitar esse Mundo que me emudece, tenta controlar e dominar este meu segredo. E até nas palavras me perco quando o tento guardar e por entre traços e espaços ele caí: estou feliz…

Marco

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